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Corrida de data centers Brasil: identidades falsas

Aos Fatos mostra a corrida de data centers no Brasil com identidades falsas e silêncio ambiental. Em Uberlândia, a RT-One segue no mesmo padrão.

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Aos Fatos: corrida de data centers com identidades falsas

A investigação do Aos Fatos mostra: a corrida de data centers no Brasil combina identidades falsas em apresentações públicas, silêncio sobre impacto ambiental e isenções fiscais sem regulação robusta. A reportagem nomeia a RT-One (Uberlândia e Maringá) e documenta o desmentido da Intel ao CEO — e a prefeitura local não fez diligência pública depois da checagem.


O padrão nacional que Uberlândia replica

Segundo a reportagem, a corrida por data centers no Brasil segue um script previsível:

  1. Promessas de investimento gigantesco (R$ 6 bilhões no caso da RT-One)
  2. Oferecimento de incentivos fiscais via REDATA (isenção de 5 anos)
  3. Silêncio estratégico sobre impacto ambiental (sem EIA/RIMA)
  4. Ausência de regulação robusta (data centers não têm legislação estadual específica)
  5. Identidades e narrativas falsas (na própria checagem: Palamone/COO Intel desmentido; parceria Intel negada)

A maioria desses passos aconteceu em Uberlândia de forma idêntica.


Identidade falsa e Intel: o elo local com a RT-One

No mesmo artigo nacional, a investigação documenta a RT-One em Uberlândia e Maringá e o episódio Intel: Fernando Palamone foi desmentido pela multinacional. Não é “padrão genérico” sem nome local — é o caso nomeado.

O que está no registro público (REPORTED pela Intel à checagem): Palamone chegou a ser apresentado como COO e VP da Intel em Brasília; a assessoria da Intel declarou que as informações do LinkedIn “superestimam e alteram seu cargo” e que ele não é COO da Intel Corporation e nunca ocupou esse cargo. Há ainda a narrativa de parceria/cliente Intel — igualmente desmentida. Isso não autoriza inventar novas fraudes: autoriza perguntar se a prefeitura fez diligência mínima depois da checagem.

A prefeitura de Uberlândia nunca questionou Palamone depois disso. O MPF abriu inquérito civil em set/2025 sobre medidas ambientais — o contrato Bacuri×RT-One entrou nos autos — mas o desmentido da Intel não virou pauta pública municipal.


Impacto ambiental: o que a corrida não diz

A investigação aponta que especialistas universitários alertam sobre o consumo de água e energia, mas prefeituras “pressionadas por promessas de investimento e desenvolvimento econômico fecham os olhos para impactos ambientais negativos”.

Isto é exatamente Uberlândia:

O que foi anunciado (REPORTED):

  • R$ 6 bilhões de investimento (Uberlândia)
  • “~2 mil permanentes” (Prefeitura/FIEMG) — contestado pelo benchmark UFU ~1 emprego/MW
  • 239 mil litros de água por dia (número DMAE minimizado no discurso oficial)
  • Energia renovável / “IA verde” (promessa de marketing, sem auditoria pública)

O que não foi dito:

  • Impacto na tarifa de energia local quando a subestação de R$ 160 milhões entrar em operação
  • Estudos de viabilidade hídrica em contexto de seca recorrente no Triângulo Mineiro
  • Impacto no cerrado e na biodiversidade local
  • Distinção obra temporária vs. empregos permanentes locais
  • Onde a água virá quando o Aquífero Guarani estiver mais seco

Por que “regulação” virou uma palavra invisível

Aos Fatos entrevistou especialistas que afirmam não existir regulação estadual robusta para orientar a instalação de data centers. Cada prefeitura fica responsável por aprovar ou rejeitar — mas sem critérios técnicos, sem parâmetros de impacto ambiental, sem modelos comparativos com outras cidades.

Uberlândia aprovou a RT-One sem:

  • Licenciamento ambiental completo (EIA/RIMA)
  • Licenças de Prévia, Instalação e Operação (LP/LI/LO)
  • Transparência de contratos ou isenções
  • Debates públicos estruturados (a audiência de 26/03/2026 na Câmara foi ausente do prefeito)

Regulação é lenta. Incentivo fiscal é rápido.


O silêncio da imprensa local após a checagem

A investigação saiu em nível nacional. Agências de checagem não têm equipes em Uberlândia. A CNN repetiu o anúncio sem as perguntas da ALMG; a imprensa local cobriu a RT-One como “oportunidade” sem questionar as falhas de transparência que a reportagem nacional expõe.

Quando uma agência de verificação de fatos encontra “uso de identidades falsas” e “impacto ambiental ignorado” em data centers brasileiros, a primeira reação de uma prefeitura responsável seria: rever o projeto localmente.

Uberlândia não fez isso.


Diligência que Uberlândia pulou depois da checagem

Checklist mínimo — sem acusação nova, só o que o registro público já pedia:

  1. Cargo e Intel: pedir à RT-One esclarecimento escrito sobre o título de COO e qualquer menção a parceria Intel após o desmentido
  2. Contratos e água: publicar contratos municipais, dados de eficiência energética e estudos hídricos (239 mil L/dia no DMAE)
  3. MPF / meio ambiente: a Câmara poderia cobrar do MP compatibilidade do projeto com regras estaduais — o inquérito ambiental existe; o silêncio municipal sobre identidade, não
  4. Imprensa local: confrontar o padrão nacional (identidades falsas + impacto ignorado) com o anúncio local de “oportunidade”
  5. Prefeito na audiência: comparecer e responder — em março, a cadeira ficou vazia

Nenhum desses passos virou procedimento público documentado.


O padrão nacional cabe em Uberlândia

A reportagem descobriu um padrão nacional: identidades falsas, impacto ambiental ignorado, prefeituras seduzidas por promessas. A RT-One se encaixa perfeitamente nesse padrão — e Uberlândia nunca leu o manual que deveria tê-la advertido.


Perguntas frequentes

O Aos Fatos citou a RT-One na matéria sobre identidades falsas?

Sim. A reportagem nomeia a RT-One (Uberlândia e Maringá), o CEO Fernando Palamone e o desmentido da Intel — além do padrão setorial em outras cidades. Síntese local: Palamone desmentido pela Intel.

O que a Intel disse sobre Fernando Palamone?

Em nota ao Aos Fatos: ele não é COO da Intel Corporation e nunca ocupou esse cargo; o LinkedIn “superestima” cargo e responsabilidades. Há ainda narrativa de parceria/cliente Intel igualmente desmentida — sem inventar fraudes novas além do registro público.

Que diligência Uberlândia pulou depois da checagem nacional?

Cobrar esclarecimento escrito sobre cargo/Intel; publicar contratos e estudos hídricos; confrontar o padrão nacional na imprensa local; e o prefeito comparecer às audiências — em março, a cadeira ficou vazia.


Fontes:


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Publicado por:

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Equipe Data Center Uberlândia

Monitoramento Ambiental e Socioeconômico

Blog independente que documenta os impactos ambientais e socioeconômicos de data centers em Uberlândia (MG).