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Dandara no STF: terreno do data center e o caso Master

Dandara pede no STF investigação do terreno supervalorizado da RT-One em Uberlândia e o elo com o caso Master. Prefeitura de Paulo Sérgio segue muda.

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Uma deputada no STF. Um prefeito em silêncio.

A deputada federal Dandara publicou no Facebook que entrou no Supremo Tribunal Federal para pedir investigação rigorosa sobre a relação entre o terreno supervalorizado onde será instalado o data center em Uberlândia e o escândalo do BolsoMaster. A mensagem é direta: a imagem e o futuro da cidade não podem ficar manchados pelo que ela chama de maior escândalo do mercado financeiro da história recente.

Dois dias antes, o Intercept Brasil documentava o chão do projeto no Fundo Bacuri, gestoras no radar do Master e um arrendamento de R$ 1 mil por mês. Enquanto Brasília acende o farol, a prefeitura de Uberlândia — que não respondeu ao Intercept — continua apagada.


”Terreno supervalorizado” não é opinião de rede social

Dandara fala em terreno supervalorizado e em estratégia parecida com a que Daniel Vorcaro usava para valorizar carteiras e vender papéis. A precaução editorial deste blog é outra: não fundir Vorcaro, Bacuri e RT-One numa só frase de meme.

O que está documentado — e detalhado em Terreno Bacuri × RT-One × Master e em Daniel Vorcaro e o data center — é o mapa institucional:

PeçaFato documentado
Dono do terrenoFII Bacuri (cartório de Uberlândia)
GestãoReag Trust até ago/2025; WNT Capital desde então
Compra (2019)R$ 14 milhões
Escritura fiscalR$ 1,78 milhão
Balanço 2025R$ 76 milhões — auditores sem laudos “apropriados e suficientes”
Arrendamento à RT-OneR$ 1 mil/mês, 15 anos (dez/2025)
Bacuri citado no MasterNão, até 13/07/2026

O elo é terreno → fundo → gestoras sob investigação. Não é escritura em nome de Vorcaro. Ainda assim, a pergunta que Dandara leva ao STF é legítima: por que o maior anúncio da cidade assenta sobre números que não se conversam e sobre administradoras no radar do BC e da PF?


”Imagem falsa de saúde financeira” — o que o papel diz

No vídeo, a deputada afirma que a mesma lógica de valorização artificial de carteiras agora serve para supervalorizar o terreno e fabricar saúde financeira de empresas ligadas ao Master.

O Intercept não condena o terreno como peça do esquema. Documenta a mesma personagem de precificação (Horbia Partners), a omissão de laudos perante a auditoria e a irracionalidade do aluguel: quase 1 km² por R$ 1 mil mensais — cerca de 0,7% ao ano sobre o valor da escritura, e uma fração irrisória se o balanço de R$ 76 milhões for o parâmetro.

Especialistas citados na reportagem falam em retorno que “passa longe” do mínimo esperado de um fundo imobiliário e em hipótese de simulação de negócio. Isso não é sentença. É o tipo de contraste que, em Brasília, vira pedido de investigação — e, em Uberlândia, ainda não vira nota da prefeitura.


Sem regulamentação: água, energia, ruído e calor

Dandara fecha o diagnóstico com o vazio normativo: tudo avança sem regulamentação nacional que proteja água, energia e impactos de ruído e calor sobre a população. Aqui o mandato federal encontra o que o blog já mapeia mesmo sem o Master:

O “papel do mandato” que a deputada invoca — fiscalizar e defender o povo — contrasta com o papel que o Executivo municipal escolheu: anunciar o projeto em BH e sumir do Facebook, da audiência pública e das perguntas da imprensa.


Quem fiscaliza de fato e quem posa de transparente

Enquanto Dandara fala em STF, o prefeito Paulo Sérgio (PP) coleciona omissões documentadas:

AtoDandaraPrefeitura de Uberlândia
Pedido de apuração do terreno × MasterSTFSilêncio
Resposta ao InterceptNão é a interlocutoraSem resposta
Debate público localPressão federalAusência na audiência
Transparência de contratosCobra fiscalizaçãoPortas fechadas

Fiscalizar o povo é discurso fácil. Fiscalizar o chão onde o data center quer nascer exige cartório, balanço e, agora, petição no STF.


A cidade não pode ficar só com a legenda

Dandara tem razão em uma coisa que o blog repete desde o anúncio: a verdade sobre o projeto não cabe no PowerPoint da FIEMG nem no silêncio do gabinete. Tem fundo, tem gestora, tem aluguel de café e tem R$ 6 bilhões de narrativa.

Tem também o que ainda não está provado: que o Bacuri seja peça citada do Master, que Vorcaro seja dono do data center, que o aluguel sozinho prove o esquema. Investigação existe para isso. Marketing de “investimento histórico”, não.

Se a imagem da cidade não pode ficar manchada, o primeiro passo é parar de limpar a sujeira com o pano da omissão.


Fonte: Facebook — Dandara (vídeo)

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Publicado por:

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Equipe Data Center Uberlândia

Monitoramento Ambiental e Socioeconômico

Blog independente que documenta os impactos ambientais e socioeconômicos de data centers em Uberlândia (MG).