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Bairros do oeste e RT-One: Pequis após saída do Bacuri

Pequis, Monte Hebrom e Douradinho vizinhos da fase 1 Bacuri. Com o terreno fora do plano (jul/2026), o risco de bairro fica condicional ao novo sítio.

5 min read bairros comunidade rt-one uberlandia regiao-oeste

Resposta direta

Os bairros Pequis, Monte Hebrom e Chácaras Douradinho foram os vizinhos naturais do terreno anunciado na MGC-497 (Fazenda Bom Jardim / fundo Bacuri). Desde jul/2026, esse terreno está fora dos planos da RT-One (contratos encerrados; nova área em seleção em Uberlândia e outras localidades). O projeto não está cancelado — o endereço é que ficou indefinido. Por isso, os impactos abaixo devem ser lidos como condicionais: voltam com força se o campus reassentar no oeste; em qualquer outro sítio, a lógica de vizinhança (água, ruído, tráfego, calor) se desloca com ele.

O terreno da fase 1 (histórico — não status atual)

Dado (anúncio fase 1)Valor
Área total anunciada~960 mil–1.000.000 m²
Campus data center (plano)~630.000 m²
APP declarada~300.000 m²
Área construída prevista~245.000 m²
Eixo viárioMGC-497 (Uberlândia–Prata)
Status jul/2026Fora dos planos; local indefinido

Cobertura da rescisão: RT-One desiste do terreno Bacuri.

Enquanto o anúncio tratava o oeste como certo, a linguagem correta era “o terreno fica…”. Agora a linguagem correta é: “o terreno anunciado ficava…; a fase 1 naquele endereço foi abandonada.”

Os bairros — perfil e vulnerabilidades

Pequis

Comunidade rural / periurbana. Parte dos moradores depende de poços para complementar a rede. Foi cenário de visitas oficiais (ex.: EMEI) sem menção correspondente ao data center — contraste documentado em outros posts do blog.

Monte Hebrom

Bairro em expansão na região oeste. Relatos recorrentes de pressão baixa e falta d’água em horários de pico — sintoma de rede no limite, não de “paranoia de vizinho”.

Chácaras Douradinho

Chácaras e sítios com uso intensivo de poço para irrigação e consumo. Qualquer rebaixamento de lençol ou competição por outorga subterrânea atinge produção e moradia juntos.

Situação hídrica já existente

Independente do data center, esses bairros enfrentam restrições:

  • Falta d’água em estiagem
  • Pressão baixa em pico
  • Dependência de poços complementares
  • Histórico de racionamento informal

Isso importa porque o parecer do DMAE olha vazão municipal agregada; a experiência do oeste é setorial. Detalhe do carimbo técnico: Parecer do DMAE. Hipótese de poço / Guarani: Aquífero Guarani.

O que pode mudar se o campus voltar ao oeste

Cenário A — só rede DMAE (2,77 L/s na fase 1)

  • Risco de priorização operacional do grande consumidor em momentos de stress
  • Pressão local pode cair mesmo com fração pequena da capacidade nominal das ETAs
  • Expansão a 400 MW reabre o envelope hídrico

Cenário B — rede + captação subterrânea

  • Queda de nível em poços de chácaras
  • Conflito com irrigação
  • Exige outorga IGAM — competência que o parecer do DMAE não cobre

Cenário C — campus em outro município / outro setor de Uberlândia

  • O oeste deixa de ser a linha de frente do ruído e do tráfego de obra
  • Não “resolve” água da cidade: só muda quem é vizinho
  • Exige novo estudo de vizinhança no sítio escolhido

Impactos adicionais (condicionais ao reassentamento oeste)

Ruído e calor

Data centers operam refrigeração 24h, geradores em teste/emergência e tráfego de manutenção. Efeito de ilha de calor e temperatura de entorno: Ilha de calor na vizinhança.

Tráfego na MGC-497

Na fase de obra (se houver retorno ao eixo):

  • Caminhões de equipamentos
  • Veículos de funcionários em turnos
  • Pressão sobre um acesso já sensível (histórico de acidentes na via)

Valor do imóvel

Vizinhos de campus grande podem enfrentar:

  • Desvalorização por ruído / visual / risco percebido
  • Ou valorização especulativa por investidores externos

Morador antigo frequentemente perde nas duas pontas: custo de viver sob obra sem ganhar o “boom”.

Consulta à comunidade — o que faltou

A Convenção 169 da OIT trata de consulta a comunidades afetadas. Perguntas que seguem em aberto desde o anúncio da fase 1:

  1. Moradores de Pequis, Monte Hebrom e Chácaras Douradinho foram consultados de forma específica?
  2. Houve audiência pública na região oeste — não só na Câmara no centro?
  3. A empresa apresentou estudo de impacto de vizinhança acessível?
  4. Com a rescisão Bacuri, a Prefeitura comunicou formalmente o que muda para esses bairros?

A audiência de março/2026 na Câmara registrou críticas e ausências da empresa/Prefeitura — ver Audiência pública março/2026 — mas não substitui consulta local de vizinhança.

O que fazer (moradores e rede local)

Mesmo com local indefinido, o oeste não deve baixar a guarda:

  1. Documentar baseline de água, ruído e tráfego (fotos, relatos datados, protocolos no DMAE)
  2. Pedir informação sobre nova área selecionada — antes do fato consumado
  3. Exigir estudo de vizinhança se o campus retornar
  4. Participar de audiências (municipal e ALMG)
  5. Acionar Ministério Público diante de irregularidades

Conclusão

Pequis, Monte Hebrom e Chácaras Douradinho foram colocados na linha de frente de um campus bilionário — e depois deixados em limbo quando a RT-One encerrou o vínculo com o terreno Bacuri. O certo não é fingir que o risco “passou”: é tratar impacto de bairro como função do endereço. Enquanto o endereço não existir, a cidade deve cobrar transparência; se o oeste voltar ao mapa, os moradores que já faltam água não podem ser os últimos a saber.


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Publicado por:

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Equipe Data Center Uberlândia

Monitoramento Ambiental e Socioeconômico

Blog independente que documenta os impactos ambientais e socioeconômicos de data centers em Uberlândia (MG).