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Briga de gigantes: Paulo Sérgio some do data center

Paulo Sérgio vende 'briga de gigantes' e salários em dólares; a RT-One desiste do terreno ligado ao fundo Bacuri investigado pelo MPF.

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“Briga de gigantes”: o que Paulo Sérgio sabe e não conta

Paulo Sérgio vende a "briga de gigantes" no data center — disputa planetária por tecnologia — e diz ter três empresas "que não podemos divulgar", enquanto a RT-One já rescindiu o terreno do fundo Bacuri em Uberlândia. A fala na Jovem Pan veio depois do Intercept sobre Bacuri/Master e do empurra da Prefeitura para a "esfera privada". Em português claro: o prefeito cobre terreno vazio, nomes secretos e ausência de EIA/RIMA com narrativa de gigantes.


”Nós temos três empresas de que nós não podemos divulgar”

Fala concedida à Jovem Pan Uberlândia. Leia a citação integral:

“Empresas de tecnologia e inovação eu trabalhei pra trazer desde depois de eleito, fui pra fora, nós fomos pra China, nós fomos no Alibaba, fomos pros Estados Unidos, fomos pro Japão e nós tamo buscando empresas de tecnologia. Agora existe uma narrativa dessa esquerda radical que fala: ‘ah precisa de muita água’, não precisa de muita água. Antigamente precisava hoje a tecnologia, um um grande uma grande unidade de inovação de tecnologia vai consumir água num conjunto de menos de 400 casas. duma pequena indústria e nós temos água abundante de qualidade pra instalar esse tipo de empresa em qualquer terreno da cidade. nao é a prefeitura que compra terreno quem compra são as empresas. Outra coisa questão de energia. Ah vai instalar e vai deixar de ter energia nas casas. Não. A energia qualquer empresa dessas é uma subestacao de energia que vai ser feita dedicada. A Cemig vai ter que fazer uma linha uma subestação dedicada a esse equipamento. Nada interfere na no Uberlândia. A questão ambiental qualquer empresa multinacional e nós somos fiscais disso vai ter que atender as normas, as regras ambientais, ela vai escolher o terreno da da do seu interesse e a Prefeitura vai aprovar o projeto. E outro detalhe importante eh pro cês terem uma ideia o ano passado esse ano nós tamo tendo investimento em Uberlândia fazendo duas subestações a cemig tá fazendo uma aqui perto do aeroporto, outra no Canaã e tamos ampliando a subestação do Shopping Park. Nós tínhamos trezentos mega em Uberlândia vamos ter quatrocentos e cinquenta megas agora esse ano quer dizer ampliou em cinquenta por cento um trabalho que a setenta anos eh não foi feito então nós tamo fazendo tamo tendo apoio do Governo do Estado pra isso e essas empresas de tecnologia vão gerar emprego de boa renda a pessoa invés de ganhar três mil reais vai ganhar três, quatro mil dólares e vai trabalhar pra Uberlândia por isso nós fizemos aqui na Rondon um na no centro da cidade por isso nós temos um polo tecnológico que tá enchendo de empresa lá pra isso. Divulgou uma nota falando que talvez deixaria Uberlândia. Nós temos três empresas de que nós não podemos divulgar pra vim pra Uberlândia, não é só a RT one. Isso é uma briga de gigante. Essa briga da de de de empresa de tecnologia. É uma briga que nós não tamo acostumado com ela, é a briga de gigantes do planeta e nós temos que tá preparado e eu tô preparado pra isso e eu vou trazer empresa de tecnologia pra Uberlândia pra gerar emprego pra nossa população, independente da narrativa desses esquerdistas radicais.”


Água, energia, fiscalização: enganação barata

“Agora existe uma narrativa dessa esquerda radical que fala: ‘ah precisa de muita água’, não precisa de muita água.”

Pausa aqui. Questionar consumo de água e energia não é “esquerda radical”. É bom senso. Engenheiro questiona. Agricultor questiona. Pai de família que paga conta questiona. Chamar isso de “ideologia” é tática clássica: ignora realidade sem discutir fatos. Funciona quando o público não sabe os números.

“Um grande uma grande unidade de inovação de tecnologia vai consumir água num conjunto de menos de 400 casas.”

A RT-One tem aprovação DMAE de 239 mil litros/dia — quase 2,77 L/s (FACT da cota). Comparar com “menos de 400 casas” é retorica do prefeito; equivalências domésticas variam com consumo per capita (ESTIMATE, não laudo RT-One). O ponto: a cota DMAE é diária e contínua — não um jogo de 90 minutos.

“A questão ambiental qualquer empresa multinacional e nós somos fiscais disso vai ter que atender as normas, as regras ambientais.”

“Nós somos fiscais” não bate com o registro público. O MPF abriu inquérito civil em set/2025 porque medidas ambientais estão ausentes, não esclarecidas. Sem EIA/RIMA, sem LP/LI/LO — licenciamento em limbo. Não existe “fiscalização da Prefeitura” documentada no mesmo nível do anúncio. Existe promessa de fiscalização.

Subestação de R$ 160 milhões? Dedicada pela Cemig — valor anunciado. Mas “nada interfere em Uberlândia”? Contestado: o custo de infraestrutura dedicada tende a pressionar a rede/tarifa; a isenção REDATA é federal por até 5 anos — pode beneficiar a operadora, sem PDF local de habilitação publicado.

“Nós temos água abundante de qualidade pra instalar esse tipo de empresa em qualquer terreno da cidade.”

“Abundante” é emoção, não número. O DMAE aprovou 2,77 L/s (239 mil/dia). Cota máxima, fim. Uberlândia já tem escassez em período seco. Chamar isso de “abundante” é como chamar estacionamento lotado de “espaço abundante”. A palavra funciona em campanha. Na torneira, não.


Três empresas secretas, Selo Diamante e terreno Bacuri

O prefeito celebra transparência. Ele publicou o Selo Diamante com 97,1% em fev/2026 (FACT PNTP). Mas guarda segredos sobre “três empresas” — o contraste entre nota e omissão está em transparência Diamante que esconde o data center. Nenhum contrato com a RT-One foi publicado — não há como confirmar quais contrapartidas foram negociadas. Quando a Intercept documentou a relação entre terreno, fundo Bacuri e investigações do Master, a Prefeitura respondeu: estruturas contratuais são privadas, não lhe cabem analisar.

“Não é a prefeitura que compra terreno quem compra são as empresas” — tecnicamente verdade. Mas enganoso. O município aprova zoneamento, isenta impostos, investe em subestações públicas e água. Depois some quando o terreno dá problema.


Emprego: promessa em dólar para vaga inexistente

“Essas empresas de tecnologia vão gerar emprego de boa renda a pessoa invés de ganhar três mil reais vai ganhar três, quatro mil dólares e vai trabalhar pra Uberlândia.”

A RT-One projeta menos de 100 empregos permanentes. Quantos ficam em Uberlândia? A maioria dos permanentes em hiperescala não é mão de obra local genérica. Especialistas de fora vêm por contrato e voltam — padrão setorial, não lista nominal publicada da RT-One.

“Três, quatro mil dólares” soa bem. Mas esse dinheiro não vai para o encanador ou eletricista local que o prefeito quer agradar. É para engenheiro da Intel que vem de SP, ganha em dólar, e volta. Trabalho em Uberlândia fica limpeza, segurança, manutenção. Salário mínimo com CTPS.


”Fui pra China, Alibaba, Estados Unidos, Japão”: viagens que não trouxeram nada

“Empresas de tecnologia e inovação eu trabalhei pra trazer desde depois de eleito, fui pra fora, nós fomos pra China, nós fomos no Alibaba, fomos pros Estados Unidos, fomos pro Japão e nós tamo buscando empresas de tecnologia.”

Sete anos de mandato. Quantas viagens a China, EUA, Japão foram? Quantas reuniões em Alibaba, Tóquio, Vale do Silício? E o resultado? Uma empresa (RT-One) que rescindiu. Três “secretas” que não aparecem. Um polo tecnológico na Rondon que ninguém vê.

Se trabalhou com China, EUA e Japão e o melhor que tem é “briga de gigantes” para explicar por que nada saiu do papel, essas viagens foram turismo custeado pelo erário.


Subestações: ele se credita por obra que estava prevista

“O ano passado esse ano nós tamo tendo investimento em Uberlândia fazendo duas subestações a cemig tá fazendo uma aqui perto do aeroporto, outra no Canaã e tamos ampliando a subestação do Shopping Park. Nós tínhamos trezentos mega em Uberlândia vamos ter quatrocentos e cinquenta megas agora esse ano quer dizer ampliou em cinquenta por cento um trabalho que a setenta anos eh não foi feito.”

De 300 pra 450 megas em um ano. Ele toma o crédito, mas esses investimentos estavam no plano da Cemig antes de fev/2026 (quando anunciou o DC). A Cemig planejava porque a cidade crescia. Ele reivindica: “trabalho que setenta anos não foi feito”.

Mas tem mais. A subestação de R$ 160 milhões só para a RT-One fica além desses 450 megas que ele menciona. Ou seja: a cidade recebe 450 megas, depois ativa mais potência para o data center. Rede mais fraca que parece.


Polo tecnológico na Rondon: “enchendo de empresa”?

“Por isso nós fizemos aqui na Rondon um na no centro da cidade por isso nós temos um polo tecnológico que tá enchendo de empresa lá pra isso.”

Qual polo? Quantas empresas? Quais os nomes? Faturamento? Empregos? Ele não diz. “Enchendo de empresa” sem lista, sem número. Tática idêntica das “três empresas secretas”: anuncia, não prova, passa pro próximo ponto.


”Briga de gigantes” depois da rescisão Bacuri

“É uma briga que nós não tamo acostumado com ela, é a briga de gigantes do planeta e nós temos que tá preparado e eu tô preparado pra isso.”

Uberlândia perdeu o terreno da fase 1. A RT-One rescindiu com o fundo Bacuri e seleciona nova área em Uberlândia ou outras localidades. O chão da MGC-497 ficou fora do plano. O anúncio de R$ 6 bi voltou a ser hipótese de localização.

Então invoca “briga de gigantes” — frase de quem quer parecer em jogo depois do reset. Ao lado, “três empresas que não podemos divulgar”. A imprensa booster fala em multinacionais e rumores; o cartório e o comunicado da RT-One falam em rescisão. Ninguém junta as duas narrativas no mesmo parágrafo — exceto quando o prefeito precisa de fumaça.

Depois da rescisão, o mínimo que “preparado” exigiria publicar (sem inventar contrato com Alibaba nem nomear o que não existe):

Pergunta cívicaPor que importa pós-BacuriResposta pública
Nomes das “três empresas”Segredo + Diamante não combinamNão divulgado
Cronograma / se ainda há campus em UberlândiaComunicado admite “outras localidades”Vago
EIA/RIMA e licenças para a área novaMPF já abriu inquérito sobre medidas ambientaisSem EIA/RIMA no limbo conhecido
Contratos e contrapartidas locaisPrefeitura empurra para a RT-OneNão publicados

Improviso, não preparação.

“Divulgou uma nota falando que talvez deixaria Uberlândia.”

Talvez. Não. A RT-One rescindiu — passado, concluído, de comum acordo. Não é hipótese sobre o terreno Bacuri. Os contratos encerrados. Ele minimiza com “divulgou uma nota falando que talvez” — como se fosse boato de jornal, não comunicado oficial da empresa.

E a resposta da Prefeitura? Silêncio. Depois, quando pressionada pela imprensa, empurra para a esfera privada. Agora, na Jovem Pan, quando já está tudo fechado, ele anuncia “três empresas secretas” — estratégia de fumaça. O povo esquece do fracasso anterior quando ouve promessa nova.


Discurso de gigantes, terreno vazio

Fev/2026: Anúncio bombástico — “aquisição de 1 milhão m², R$ 6 bilhões, 2 mil empregos”. Jul/2026: RT-One rescinde contrato. Terreno vago. Nada saiu do papel.

Nesse meio-tempo, o prefeito:

  • Faltou à audiência pública do data center (mar/2026) — prioridade zero.
  • Celebrou Selo Diamante de transparência (97,1%) sem mencionar o maior projeto da cidade. Ironia em forma de números.
  • Silenciou enquanto a imprensa documentava Bacuri, Master, WNT. Só falou quando foi obrigado.
  • Empurrou a responsabilidade: Prefeitura / Secom — “esfera privada”, dúvidas com a RT-One.

Na Jovem Pan, quando já tudo desabou, Paulo Sérgio tira “três empresas secretas” da cartola e reinventa a briga de gigantes no data center.

Isso não é incompetência — é deliberado. Prometeu, sumiu quando ficou feio, vende ilusão. Chama crítico de “esquerdista radical” em vez de responder. Reduz água de 239 mil L/dia para “menos de 400 casas”. Diz que subestação de R$ 160 milhões não interfere enquanto você paga a conta de luz.

Uberlândia não precisa da “briga de gigantes” de Paulo Sérgio. Precisa de nomes, contratos e licenças.


Perguntas frequentes

O que Paulo Sérgio chama de briga de gigantes no data center?

Na Jovem Pan Uberlândia, o prefeito descreveu a disputa por empresas de tecnologia como “briga de gigantes” e citou três empresas que “não podemos divulgar” além da RT-One — sem nomes públicos.

A RT-One desistiu do terreno em Uberlândia?

Sim. Em jul/2026 encerrou, de comum acordo, os contratos com o FII Bacuri e passou a selecionar nova área (Uberlândia ou outras localidades). O local da fase 1 ficou indefinido.

Quais são as três empresas secretas?

Não foram nomeadas. Coberturas (O Tempo, Olhar Digital) falam em negociatas com multinacionais; a Prefeitura não publicou lista oficial.


Fonte: Jovem Pan Uberlândia — Reel no Facebook; Facebook — Paulo Sérgio; Intercept — terreno Bacuri / Master

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Publicado por:

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Equipe Data Center Uberlândia

Monitoramento Ambiental e Socioeconômico

Blog independente que documenta os impactos ambientais e socioeconômicos de data centers em Uberlândia (MG).