Diamante no portal, sigilo no data center
O Selo Diamante de transparência em Uberlândia (**FACT**: **97,1%** no PNTP 2025, Atricon/TCEMG) mede processo de LAI no portal — não obriga divulgação útil do data center RT-One. Paulo Sérgio celebra a nota; o padrão nacional de Aos Fatos e Intercept — sigilo comercial / confidentiality — encaixa no script local. Em 24/02/2026 o Facebook exibiu o diamante; semanas depois, o maior anúncio da cidade seguia fora do extrato público. "Respondido sob sigilo" ainda pode marcar checkbox.
PNTP mede processo LAI, não divulgação do RT-One
O Selo Diamante (PNTP / tribunais de contas) mede conformidade com a Lei de Acesso à Informação — respostas dentro do prazo, formulários, documentos de rotina no portal. É métrica de processo, não de substância do maior projeto anunciado. A lacuna 97,1% × RT-One fora do portal está no artigo sobre a nota PNTP; aqui o foco é como “respondido sob sigilo” ainda marca ponto.
Teste de leitura do 97,1%:
| O que o PNTP costuma pontuar | O que o cidadão precisa sobre o RT-One | Coberto pelo Diamante? |
|---|---|---|
| Protocolo LAI respondido no prazo | Conteúdo útil (contrato, EIA, WUE, isenção) | Não — “sob sigilo” ainda conta como resposta |
| Folha, licitacões, despesas rotineiras | Termos com a RT-One / contrapartidas locais | Não publicado |
| Canais de ouvidoria / portal | Status pós-rescisão Bacuri | Nota genérica + “esfera privada” |
| Conformidade formal | Parecer DMAE completo, mix energético, cronograma real | Parcial ou ausente |
Tradução: a prefeitura pode responder “temos a informação, mas está sob sigilo” e marcar checkbox verde. Selo conquistado. Cidadão sem extrato.
Documentado por Aos Fatos e Intercept Brasil: prefeituras usam confidencialidade para blindar data centers. A RT-One tem histórico de recusa e identidades falsas. Em Uberlândia o script é o mesmo: “facilitamos partes privadas; assine o NDA.” O Diamante não pergunta se Bacuri, água ou renúncia REDATA aparecem no portal.
O que o portal publica e o que o data center esconde
| Item | Transparência | Sigilo |
|---|---|---|
| Contratos da prefeitura com fornecedores | Publicado | Sim |
| Salários de servidores | Publicado | Sim |
| Licenças ambientais do data center | Não existe | Sim |
| Consumo de água autorizado | Publicado (mas omisso) | Parcialmente |
| Termos financeiros do data center | Sigilo | Sigilo total |
| Cronograma de obras | Sigilo | Sigilo total |
| Contrapartidas à cidade | Sigilo | Sigilo total |
| Selo Diamante do prefeito | Celebrado | Visível |
O Selo Diamante é verdadeiro, tecnicamente. A prefeitura de Uberlândia responde formulários de Lei de Acesso. Mas a transparência que importa — a do data center — fica em limbo de sigilo comercial e confidencialidade.
”Esfera privada” quando a pergunta é Bacuri ou contrato
Toda vez que alguém pergunta sobre o campus, a prefeitura bate na mesma tecla: setor privado, empresa privada, acordo privado. “Nós, prefeitura, apenas facilitamos.”
Só há um problema: a prefeitura assinou a outorga de água. Zoneou o terreno. Emitiu parecer. Publicou cronograma de acessos viários. A Cemig, estatal, negocia subestação dedicada de R$ 160 milhões.
Tudo é “privado” quando é inconveniente contar. Tudo é “público” quando é conveniente comemorar.
Quando documentos do projeto vazam (audiências, pareceres do DMAE, intenções de ato administrativo), mostram o que a “confidencialidade” escondia: dilemas não resolvidos, análises incompletas, impactos minimizados.
A audiência de março de 2026 revelou: prefeitura não compareceu, prefeito ausente. O parecer do DMAE revelou: análise superficial de impacto hídrico. O cronograma revelou: obras adiantadas sem LP/LI/LO ambiental.
Tudo isso estava “sigiloso” quando era para a cidade saber. Virou público quando foi para registro histórico.
Diamante no Facebook, sigilo no único projeto que importa
24 de fevereiro: “Selo Diamante, 97,1% de transparência!”
Semanas depois: “Informação sobre data center? Sob sigilo. Dirija-se à empresa. Assine o confidentiality agreement.”
Meses depois: “Não, não temos LP/LI/LO. Licença está em limbo. MPF abriu inquérito. Você quer saber mais? Espera.”
E o Selo? Ainda no Facebook. Ainda celebrado. Ainda verde.
O Selo Diamante serve seu propósito: dar ao prefeito certificado de “governo moderno”. Respostas práticas, índices positivos, foto no jornal.
Mas não funciona para o único assunto que importa em Uberlândia: o futuro ambiental da cidade, decidido em silêncio comercial, com NDA, e celebrado com Selo Diamante.
Há uma lição aqui: transparência de processo não é transparência de resultado. Você pode responder todas as perguntas corretas em 30 dias — e esconder as respostas que realmente importam em cláusula confidencial.
O Selo Diamante de Paulo Sérgio prova isso perfeitamente.
Perguntas frequentes
O Selo Diamante cobre o data center RT-One?
Não como substância. Mede processo LAI (PNTP/Atricon, 97,1%). O padrão de sigilo comercial/NDA em data centers permite “respondido sob sigilo” pontuar — sem inventar denegação LAI local item a item.
O que o PNTP mede?
Portal, prazos, canais e respostas formais. Não exige publicar contratos, EIA/RIMA ou status pós-Bacuri do data center.
Selo Diamante e sigilo comercial são compatíveis?
No critério PNTP, sim: pontua processo, não utilidade. “Respondido sob sigilo” pode marcar checkbox sem revelar contratos ou EIA do data center.
Fonte: Facebook — Paulo Sérgio; Atricon — PNTP / certificação MG 2025 (Selo Diamante Uberlândia); Aos Fatos — Corrida dos data centers no Brasil ignora impacto ambiental e tem até uso de identidades falsas; Intercept Brasil — Big techs usam outras empresas para operar data centers no Brasil
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