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Audiência Pública RT-One (26/03/2026): Por Que Empresa e Prefeitura Não Compareceram?

Na audiência pública sobre o data center RT-One em Uberlândia, nem a empresa nem a Prefeitura compareceram. Sociedade civil fez críticas duras ao projeto.

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Resposta direta

Em 26/03/2026, a Câmara Municipal de Uberlândia promoveu audiência pública sobre o data center da RT-One, convocada pelas vereadoras Amanda Gondim (PSB) e Liza Prado (MDB). Nem a empresa (além do advogado) nem a Prefeitura enviaram representação institucional para responder à população. A sessão serviu como diagnóstico político: sociedade civil organizada, críticas técnicas e uma proposta de marco normativo da UFU — sem contraposto oficial no microfone.

Este artigo cobre a audiência da Câmara (março). A tramitação estadual e as audiências na ALMG são outro eixo; o hub estadual está em Audiência ALMG sobre data centers.

O que aconteceu em 26/03/2026

Ausências marcantes:

  • Presidente / direção da RT-One — não compareceram
  • Representantes da Prefeitura — não compareceram
  • A empresa enviou apenas o advogado (Dr. Danilo)

A ausência não é detalhe de agenda. Quem pede R$ 6 bilhões em narrativa de investimento, acesso a água/energia e isenções (Redata) e não responde perguntas públicas sinaliza o nível de accountability que aceita.

Críticas da sociedade civil

Vereador Dr. Igino (PT)

“100 mil pessoas moram em áreas irregulares, sem acesso a água, energia e saneamento básico. Como serão direcionados esses recursos para o Data Center?”

A pergunta conecta saneamento e prioridade hídrica — o mesmo eixo do Ranking de Saneamento 2026.

Profª Dra. Naiara Vilela (UFU/Direito)

Defendeu desenvolvimento que considere “a questão ambiental para as presentes e futuras gerações” e orientou o trabalho dos alunos sobre marco municipal.

Luana Leite (CRBio-04)

Alertou para:

  • Poluição sonora
  • Alto consumo elétrico e hídrico
  • Crise hídrica do Triângulo Mineiro
  • Invocou o Princípio da Precaução

Frei Rodrigo (CNBB/Pastoral da Terra)

Criticou o Redata como isenção de tributos federais por 5 anos sem contrapartida social clara para o município.

Vereadora Amanda Gondim (PSB)

Não existe Data Center sustentável.

Denunciou “lacuna legislativa” que permite instalação sem regulamentação municipal adequada — o fio que liga a audiência de março à proposta da UFU e, depois, ao debate na ALMG.

A proposta da UFU — e o follow-up

Estudantes do 3º período da Faculdade de Direito da UFU, sob orientação da profª Naiara Vilela, apresentaram um marco normativo municipal para regular data centers em Uberlândia: equilibrar atração de investimentos com proteção ambiental, água, energia, ruído e consulta à vizinhança.

O que a audiência entregou, na prática:

  1. Texto-base para debate legislativo local (não lei aprovada)
  2. Registro público de lacunas: licenciamento, água, isenções, empregos
  3. Pressão política sobre Executivo e empresa — sem resposta presencial

Detalhamos o conteúdo normativo em Marco normativo UFU para data centers. Até agosto/2026, o ponto de acompanhamento continua sendo: a Câmara transformou a proposta em projeto de lei com tramitação ativa? Houve nova sessão com presença obrigatória de empresa e Prefeitura? As respostas públicas posteriores (Secom, jul/2026) empurram dúvidas societárias para a RT-One — padrão de omissão, não de prestação de contas.

Por que as ausências importam

Quando a empresa e o Executivo não comparecem:

  1. Transparência — perguntas sobre contratos, isenções e garantias ficam sem dono
  2. Desrespeito institucional — a Câmara convoca; o poder público municipal ignora
  3. Fragilidade argumentativa — quem tem boa resposta costuma comparecer

O poder público deveria responder, no mínimo, sobre:

  • Status de licenciamento (LP/LI/LO; EIA/RIMA)
  • Benefícios fiscais e contrapartidas
  • Garantias ambientais e hídricas exigidas

Movimentos presentes

A audiência reuniu representantes de:

  • Movimento Negro Unificado
  • Somos Rio
  • Unidade Popular
  • Pastoral da Terra (CNBB)
  • Conselho Regional de Biologia (CRBio-4ª Região)
  • Faculdade de Direito da UFU

Ou seja: a ausência não foi de público — foi de quem decide e lucra com o enquadramento do projeto.

Depois de março: o que mudou (e o que não)

TemaMarço/2026 (Câmara)Atualização (jul–ago/2026)
Comparecimento RT-One / PrefeituraAusentes (só advogado)Padrão se repete em espaços estaduais; ver hub ALMG
Local do campusTratado como terreno oeste (Bacuri/Pequis)Contratos Bacuri encerrados; local indefinido (Uberlândia e outras localidades)
Marco municipal UFUApresentadoAcompanhar se virou PL com rito
Água / licençasCríticas sem resposta oficial na sessãoSem LP/LI/LO públicas; parecer DMAE permanece parcial

A audiência de março não perdeu relevância porque o terreno mudou de status: as perguntas sobre água, ruído, isenção e lacuna legislativa acompanham o projeto onde ele for reassentado — se for.

Próximos passos úteis

  1. Cobrar da Câmara o andamento do marco normativo (texto, autor, comissão)
  2. Exigir nova audiência municipal com presença confirmada de RT-One e Prefeitura
  3. Protocolar pedidos de informação (contratos, pareceres, outorgas)
  4. Cruzar com o debate estadual: ALMG — data centers e silêncio do prefeito
  5. Monitorar licenciamento e seleção de nova área sem tratar o projeto como “cancelado”

Conclusão

A audiência de 26/03/2026 mostrou sociedade civil preparada e poder público/empresa ausentes. O legado concreto é o diagnóstico — água, legislação, isenções, precaução — e a semente do marco UFU. Sem comparecimento e sem tramitação legislativa, a sessão vira arquivo. Uberlândia ainda merece as respostas que não foram dadas naquela noite.


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Publicado por:

E

Equipe Data Center Uberlândia

Monitoramento Ambiental e Socioeconômico

Blog independente que documenta os impactos ambientais e socioeconômicos de data centers em Uberlândia (MG).