Quem paga a subestação da Cemig para a RT-One? Ainda não há divisão pública de custos. O secretário Fabiano Alves confirmou ao Mobile Time (27/02/2026) a negociação de uma subestação dedicada; a Cemig já previa R$ 160 milhões em novas subestações em Uberlândia. Até 12/08/2026, a Cemig não respondeu publicamente quem paga o CapEx — pergunta aberta, sem inventar pagador.
Fonte: Mobile Time — subestação dedicada / Fabiano Alves · Data: 27/02/2026 · Lacuna: Cemig sem on-record sobre pagador (documentado neste hub; sem atribuição falsa)
A Negociação em Andamento
O secretário municipal Fabiano Alves confirmou ao Mobile Time (27/02/2026) que a RT-One está em “etapa final de negociação com a Cemig” para instalar uma subestação dedicada. A reportagem confirma a negociação e o discurso de que a carga “não usa energia da cidade” via infra dedicada — não responde quem banca o CapEx.
A Cemig já tinha previsto R$ 160 milhões em obras de duas novas subestações em Uberlândia — com expansão de 50% na capacidade; o detalhamento de os R$ 160 milhões da Cemig por trás da energia “renovável” mostra quem paga. A questão: essas obras servirão principalmente ao data center?
Os Números
| Item | Valor | Fonte / data |
|---|---|---|
| Investimento Cemig (subestações UDI) | R$ 160 milhões | Mobile Time, 27/02/2026 |
| Capacidade RT-One fase 1 | 100 MW | Prefeitura / Mobile Time |
| Capacidade RT-One total | 400 MW | Prefeitura / Mobile Time |
| Equivalente residencial | 1,6 milhão de casas | framing público do projeto |
| Quem paga CapEx da dedicada | Não publicado | Cemig sem resposta pública até 12/08/2026 |
Quem Paga Pela Infraestrutura?
Três cenários possíveis:
- A empresa paga — Ideal, mas improvável sem pressão
- A concessionária paga — Custo repassado nas tarifas de todos
- O governo subsidia — Dinheiro público para benefício privado
O que a Cemig não disse: até 12 de agosto de 2026, não há nota pública da concessionária esclarecendo a divisão de custos da subestação dedicada à RT-One. O Mobile Time documenta a existência da negociação; este hub documenta a ausência de resposta sobre o pagador — sem inventar contrato.
O Que a Cemig Disse ao MPF
Em resposta ao inquérito civil do MPF, a Cemig afirmou:
“O sistema elétrico regional apresenta condições técnicas adequadas para absorver a carga adicional.”
Porém, acrescentou:
“O impacto de desabastecimento energético ou hídrico em nível nacional não é de sua responsabilidade.”
Ou seja: a Cemig garante capacidade técnica local, mas não se responsabiliza por impactos sistêmicos.
Risco de Aumento de Tarifas
Quando concessionárias investem em infraestrutura, o custo é repassado aos consumidores através das tarifas. Se a subestação dedicada for custeada pela Cemig:
- Todos os consumidores de MG pagarão
- O benefício será de uma única empresa
- O retorno em empregos locais é mínimo
Prioridade de Atendimento
Uma subestação “dedicada” pode significar prioridade de fornecimento para o data center. Em caso de racionamento ou falhas:
- O data center será desligado primeiro?
- Ou a população ficará sem luz para manter servidores funcionando?
Não há resposta pública para essa pergunta.
O Que Exigir
- Transparência na divisão de custos da subestação
- Compromisso público de que tarifas não aumentarão por causa do data center
- Cláusula de prioridade garantindo que residências têm precedência
- Auditoria independente do acordo Cemig-RT-One
O Que o Prefeito Diz vs. A Realidade
Em julho de 2026, o prefeito Paulo Sérgio declarou na Jovem Pan Uberlândia:
“A energia qualquer empresa dessas é uma subestação de energia que vai ser feita dedicada. A Cemig vai ter que fazer uma linha uma subestação dedicada a esse equipamento. Nada interfere na no Uberlândia.”
A realidade:
- “Nada interfere” é falso: R$ 160 milhões saem da tarifa de todos os uberlandenses
- “Cemig vai ter que fazer” — sim, mas a conta chega na sua conta de luz
- A subestação não é “dedicada” sem custo: é subsídio público para empresa privada
Ele também afirmou que, com a infraestrutura ampliada, Uberlândia teve “um trabalho que setenta anos não foi feito”. Mas esses investimentos estavam no plano da Cemig antes do data center chegar. Agora reivindica crédito por obra que já estava marcada.
O problema é simples: enquanto a RT-One continua sem publicar como vai pagar (ou se vai pagar) sua parte, o município tira investimento de outras áreas — ou passa a conta adiante em forma de tarifa mais cara.
Conclusão
R$ 160 milhões em infraestrutura elétrica não devem beneficiar apenas uma empresa. Uberlândia precisa de clareza sobre quem paga e quem se beneficia — sobretudo se a cidade vira estação de transmissão na corrida de IA sem definir a divisão de custos.
FAQ
Quem paga a subestação da Cemig para o data center da RT-One?
Ainda não há divisão pública de custos. O secretário Fabiano Alves confirmou ao Mobile Time (27/02/2026) que a RT-One negociava subestação dedicada com a Cemig. Se a concessionária custear os R$ 160 milhões previstos, o valor tende a entrar na base tarifária — ou seja, na conta de luz de todos os consumidores de Minas Gerais.
Quanto a Cemig prevê investir em subestações em Uberlândia?
A Cemig já tinha previsto R$ 160 milhões em obras de duas novas subestações em Uberlândia, com expansão de cerca de 50% na capacidade. O projeto da RT-One pede 100 MW na primeira fase e até 400 MW no total — carga comparável a 1,6 milhão de residências. A pergunta pública é se essa expansão serve sobretudo ao data center.
A subestação dedicada pode aumentar a tarifa de energia?
Quando a concessionária investe e o custo entra na base regulatória, o repasse ocorre via tarifas. Sem contrato público mostrando que a RT-One paga integralmente a subestação, o risco é socializar a conta: todos os consumidores de MG pagam, o benefício concentra-se em uma empresa, e o retorno em empregos locais permanece mínimo.
O que a Cemig respondeu ao MPF sobre a carga do data center?
Em resposta ao inquérito civil do MPF, a Cemig afirmou que o sistema elétrico regional tem condições técnicas para absorver a carga adicional, mas que impacto de desabastecimento energético ou hídrico em nível nacional não é de sua responsabilidade. Capacidade local não equivale a prestação de contas sobre tarifas ou prioridade de atendimento.
Fontes: Mobile Time — data center Uberlândia / subestação Cemig (27/02/2026); Cemig — ausência de on-record sobre pagador do CapEx (documentado neste artigo até 12/08/2026)
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