Energia renovável a 100%? A conta chega em R$ 160 milhões
FATO: a Cemig/Prefeitura anunciaram R$ 160 milhões em duas subestações municipais (300→450 MVA). FATO: o secretário Fabiano Alves confirmou ao Mobile Time (27/02/2026) negociação de subestação dedicada ao campus. OPINIÃO: vender “energia renovável a 100%” sem rateio público de CapEx mascara o risco de socializar a conta na tarifa. Detalhe do pagador: quem paga a subestação.
Quem paga? Promessa da RT-One: energia renovável data center a 100%. Fora do release: a Cemig anuncia R$ 160 milhões em duas subestações municipais (Leste/Oeste, 300→450 MVA) — CapEx de rede que tende a socializar na tarifa.
A subestação dedicada ao campus segue em negociação — não é o mesmo pacote de R$ 160 mi. Energia “limpa” tem custo. E não é o da RT-One.
Cemig R$ 160 milhões: 300→450 MVA, quem paga a tarifa?
“Investimento de R$ 6 bilhões” sugere empresa com infra pronta. A realidade local: a Prefeitura e a Cemig anunciam duas novas subestações, R$ 160 milhões, ampliando capacidade de 300 MVA para 450 MVA (+50%). Em fevereiro de 2026, o município confirmou negociação de subestação dedicada para o data center.
| Investimento | Quem anuncia / executa | Quem tende a pagar |
|---|---|---|
| R$ 6 bilhões (campus) | RT-One | Privado (em teoria) |
| R$ 160 milhões (subestações) | Cemig / discurso municipal de “progresso” | Base tarifária — conta de luz |
| Subestação dedicada (negociação) | Cemig × RT-One | Risco de prioridade + CapEx socializado |
| Carga 100→400 MW | RT-One consome | Rede local absorve pico e reforço |
| Isenção Redata (5 anos) | União / MG | Município sem a fatia tributária |
Promessa de energia renovável data center não é energia de graça. CapEx de rede de concessionária recupera-se na tarifa — não é altruísmo verde. Sem tabela pública de rateio RT-One × cidadão, a pergunta fica aberta: quem paga os R$ 160 milhões? O release não responde. A física da regulação tarifária, sim.
100 MW agora, 400 MW depois — a subestação não encolhe
Discurso inicial: 100 MW. Letra miúda: expansão até 400 MW — quatro vezes a demanda.
- 400 MW abastecem ordem de grandeza de uma cidade de ~200 mil pessoas
- Uberlândia tem ~680 mil habitantes
- Reforço de R$ 160 milhões é piso de entrada, não teto de obra
(O crescimento da fatia nacional do setor na rede — 1,7%→3,9% MIT — é tema irmão; aqui o foco é CapEx Cemig × promessa renovável. “Verde” sem métrica local: mito de sustentabilidade em Uberlândia.)
“100% renovável” na rede que não é 100% limpa
“Energia renovável” evoca sol e vento no telhado. A energia que chega pela Cemig é o mix do SIN: hidrelétricas (maioria), térmica a gás/carvão, nuclear, eólica e solar crescentes.
Chamar de 100% renovável um consumo que se integra à rede nacional — sem PPA auditado público e com backup a diesel nos documentos — é, no mínimo, meia-verdade. Mesmo padrão: matriz renovável como greenwashing.
Progresso para quem? Empregos poucos, tarifa de todos
“É progresso”, “atrai investimento”, “gera empregos”. Empregos permanentes: menos de 100.
- RT-One: energia garantida por reforço estatal
- Cidadão: tarifa e risco de rede
- Cemig: CapEx recuperável na base — não altruísmo
A promessa verde que custa R$ 160 milhões
RT-One vende responsabilidade e energia renovável data center a “100%”. A contrapartida invisível: R$ 160 milhões de reforço municipal de rede (mais SE dedicada em negociação) — e um projeto isento de impostos federais por 5 anos.
Promessa no topo. Conta na base.
Perguntas frequentes
Quem paga os R$ 160 milhões da Cemig?
CapEx de concessionária recupera-se na base tarifária. Sem tabela pública de rateio RT-One × cidadão, a conta tende a socializar no consumo local.
”100% renovável” significa elétron limpo na tomada?
Não necessariamente. A energia chega pelo mix do SIN (hidro, térmica, eólica, solar…). Sem PPA auditado público — e com backup a diesel — a promessa é, no mínimo, meia-verdade.
Este artigo cobre a fatia nacional 1,7%→3,9%?
Não — aqui é CapEx local × promessa renovável. Curva nacional: consumo de energia data centers Brasil.
Fonte: Portal da Prefeitura de Uberlândia — Investimentos Cemig; Mobile Time — Subestação dedicada
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