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RT-One Desiste do Terreno Bacuri e Pode Deixar Uberlândia

RT-One confirma rescisão de todos os contratos com o FII Bacuri. Local do data center fica indefinido: Uberlândia ou outra cidade de Minas Gerais.

12 min read investigacao rt-one uberlandia fundo-bacuri banco-master caso-master reag-trust wnt-capital intercept transparencia

O chão do “maior data center da América Latina” saiu do contrato

FATO (jul/2026): a RT-One encerrou, de comum acordo com o FII Bacuri, os contratos do terreno da fase 1 (Fazenda Bom Jardim / MGC-497). Não é cancelamento do projeto no Brasil — status: local indefinido (Uberlândia ou outras localidades). Fontes de status: comunicado RT-One; Paranaíba Mais; BNamericas; DCD. Páginas em rt-one.com sobre terreno/compra podem estar desatualizadas após a rescisão — cruzar sempre com o comunicado.

CampoConteúdo
PerguntaA RT-One cancelou o data center / pode deixar Uberlândia?
RespostaNão cancelou o projeto; saiu do terreno Bacuri e busca novo sítio (UDI ou outras)
FatoComum acordo; fatos supervenientes das administradoras; só locatária
FonteComunicado RT-One (jul/2026) + Paranaíba Mais / BNamericas / DCD; Intercept (13/07/2026) = investigação Bacuri, não status
DataJul/2026
StatusLocal indefinido — não “projeto cancelado”; site corporativo pode estar stale

A RT-One publicou o comunicado oficial: Comunicado sobre o encerramento dos contratos referentes a terreno em Uberlândia (MG). Em resumo: encerrou, de comum acordo com o FII Bacuri, as relações contratuais do terreno “originalmente destinado a abrigar um de seus projetos de data center”.

O local da cerimônia com prefeito, vice e parceiros deixou de fazer parte dos planos. Não é cancelamento do investimento no Brasil — a empresa “reafirma seu compromisso com a expansão de sua infraestrutura de data centers no Brasil”. É outra coisa, mais prosaica e mais grave para a narrativa municipal: o sítio da MGC-497 morreu no papel, e a seleção de nova área avalia “alternativas em Uberlândia e em outras localidades”.

A linha do tempo completa registra o capítulo. Abaixo, o texto integral e o que ele esconde.


O comunicado oficial (texto integral)

Comunicado sobre o encerramento dos contratos referentes a terreno em Uberlândia (MG)

A RT-One informa que encerrou, de comum acordo com o Fundo de Investimento Imobiliário Bacuri, as relações contratuais referentes ao terreno de Uberlândia (MG), originalmente destinado a abrigar um de seus projetos de data center. A decisão, tomada diante dos fatos supervenientes envolvendo as administradoras do fundo, não representa reconhecimento de irregularidade por qualquer das partes.

A empresa reitera que atuou exclusivamente como locatária do imóvel: não participa da gestão do fundo, não define o valor de seus ativos e não possui qualquer vínculo com a consultoria responsável pela precificação dos ativos do fundo. À época da contratação, não havia investigação pública conhecida envolvendo a então administradora do fundo.

A RT-One iniciou o processo de seleção da nova área para o projeto, avaliando alternativas em Uberlândia e em outras localidades que atendam aos requisitos. A definição será oportunamente anunciada, e a companhia reafirma seu compromisso com a expansão de sua infraestrutura de data centers no Brasil.

A companhia destaca, ainda, que seus projetos seguem sendo conduzidos em conformidade com a legislação e os procedimentos regulatórios aplicáveis, e que mantém seus processos de avaliação de riscos e de contrapartes em todas as suas relações comerciais, permanecendo à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos.

A cobertura do Paranaíba Mais (Danilo Caixeta) reproduziu e contextualizou a nota; o Intercept, dias antes, havia documentado o elo cartorial e a valorização do terreno.


O que a empresa admitiu, ponto a ponto

Trecho do comunicado oficialO que significa na prática
Encerrou, de comum acordo com o FII Bacuri, as relações contratuais do terrenoRuptura bilateral; o chão da fase 1 sai do projeto
Terreno “originalmente destinado” a um data center da RT-OneConfirma que aquele endereço era o sítio do anúncio
Decisão “diante dos fatos supervenientes envolvendo as administradoras do fundo”A própria empresa liga a saída ao ruído sobre as gestoras
”Não representa reconhecimento de irregularidade por qualquer das partes”Nexo causal político/reputacional sem admissão jurídica de ilícito
Atuou “exclusivamente como locatáriaNão era dona do chão; alinha com o aluguel documentado no MPF/Intercept
Não participa da gestão do fundo; não define valor dos ativos; sem vínculo com a consultoria de precificaçãoDescola da avaliação de R$ 76 mi e da Horbia Partners
”À época da contratação, não havia investigação pública conhecida envolvendo a então administradora”Tenta isolar a due diligence de 2025 do escândalo posterior
Seleção de nova área: Uberlândia e outras localidades; definição “oportunamente anunciada”Local indefinido; Uberlândia deixa de ser a única candidata
Compromisso com expansão de data centers no BrasilNão é “projeto cancelado” no discurso oficial
Conformidade legal, avaliação de riscos e contrapartes; à disposição das autoridadesLinguagem de compliance de crise

A frase-chave não é o lamento sobre “incertezas” da TV local. É o nexo que a empresa, pela primeira vez, assume em público: os fatos envolvendo as administradoras do fundo pesaram na ruptura.


O terreno que a prefeitura festejou

A área da fase 1 é a Fazenda Bom Jardim, na rodovia MGC-497, zona rural oeste — a mesma região dos bairros Pequis e Monte Hebrom. No cartório do 2º Ofício de Registro de Imóveis de Uberlândia, o dono do chão é o FII Bacuri, não a RT-One e não o município.

Em 9 de setembro de 2025, a prefeitura celebrou a “aquisição” do terreno com prefeito Paulo Sérgio (PP), vice Vanderley Pelizer, secretário Fabiano Alves e parceiros industriais. O discurso público falou em marco histórico. Os documentos posteriores falaram em locação e opção de compra.

Em dezembro de 2025, segundo o contrato que entrou no inquérito civil do MPF, a RT-One arrendou cerca de 96 hectares por R$ 1 mil por mês por 15 anos. Análise detalhada: Terreno Bacuri, Master e aluguel de R$ 1 mil.

Em 13 de julho de 2026, o Intercept Brasil mostrou a cadeia completa:

  • Gestão do Bacuri: Reag Trust DTVM até ago/2025 → WNT Capital depois
  • Ambas as gestoras no radar de investigações ligadas ao caso Banco Master / operações da PF
  • Avaliação no balanço 2025: R$ 76 milhões (compra 2019: R$ 14 mi; escritura: R$ 1,78 mi)
  • Bacuri ainda não citado nas investigações do Master até a data da matéria

Poucos dias depois, a RT-One formaliza a saída. O “progresso” da cerimônia de setembro vira histórico de contrato encerrado.


Locatária, R$ 1 mil e a precificação que “não é dela”

O comunicado oficial repete: a RT-One atuou “exclusivamente como locatária”. Isso casa com o contrato de locação de cerca de 96 hectares a R$ 1 mil por mês (15 anos, dez/2025) que entrou no inquérito do MPF e na reportagem do Intercept. Em respostas a questionamentos (reproduzidas pelo Paranaíba Mais), a empresa ainda disse que o aluguel tinha finalidade técnica/estudos e que havia opção de compra em renegociação desde abril — instrumentos que, com o “encerramento das relações contratuais”, saem da mesa junto com o chão.

Sobre a valorização da Fazenda Bom Jardim (R$ 14 mi em 2019 → R$ 76 mi no balanço 2025), o comunicado é cirúrgico: a empresa “não define o valor de seus ativos” e “não possui qualquer vínculo com a consultoria responsável pela precificação”. Em outras palavras, o salto do balanço existe; a responsabilidade, na versão da operadora, não é dela. O fundo e a precificação (Horbia Partners, segundo o Intercept) ficam com a conta narrativa da avaliação. A RT-One fica com a conta política de ter assinado no mesmo chão.

O parágrafo sobre “à época da contratação não havia investigação pública conhecida” é o escudo de due diligence. Cabe ao leitor cruzar com o calendário: o Bacuri passou da Reag Trust (liquidação BC) para a WNT; as gestoras entraram no radar do caso Master e da PF; a rescisão veio “diante dos fatos supervenientes”. O comunicado não detalha quais fatos. Só que pesaram.


O que a rescisão não é

Não é sentença criminal contra o Bacuri, a Reag, a WNT ou a RT-One. O próprio comunicado diz que a decisão “não representa reconhecimento de irregularidade por qualquer das partes”. Não é prova de que “Vorcaro é dono do data center” (regra editorial: Vorcaro = rede/Master; Bacuri = cartório; RT-One = operadora). Não encerra, sozinha, o inquérito civil do MPF sobre impactos ambientais: o procedimento já tinha o contrato de arrendamento nos autos, e trocar de sítio não apaga anúncio, água, energia e silêncio municipal. E não garante que Uberlândia “ganhou” ou “perdeu” o projeto.

Dizer “projeto cancelado” é impreciso. Dizer “local indefinido; seleção em Uberlândia e em outras localidades” é o que o comunicado admite.


O que isso muda para a cidade

1. A narrativa do marco municipal esfarela

A prefeitura vendeu o terreno da MGC-497 como certeza. Cemig, DMAE, coletiva na FIEMG, promessa de 2 mil empregos, subestação, isenção Redata — tudo orbitava um endereço que a própria operadora desautorizou.

2. Licenciamento e pareceres viram fase encerrada (daquele sítio)

Parecer de água do DMAE, viabilidade regional da Cemig e cronograma de obras de maio/2026 sem LP/LI/LO referiam-se ao desenho da fase 1. Qualquer novo sítio reabre — ou deveria reabrir — a pergunta regulatória do zero. Não há atalho honesto: trocar de terreno e manter o marketing do mesmo projeto é contabilidade política, não engenharia ambiental.

3. Transparência municipal continua em falta

Os termos do acordo com a prefeitura nunca foram publicados. Agora que o chão mudou, a pergunta dobra: o que a cidade assinou, com quem, e o que sobra se o data center for para Patos de Minas, Uberaba ou qualquer outro município?

4. O silêncio seletivo da grande imprensa

Enquanto o Intercept e o Paranaíba Mais documentavam fundo, Master e rescisão, o MG1/G1 tratou a saída como “incerteza” genérica — ligando para Fernando Palamone, que fez pouco caso da encrenca, deixou no ar Uberlândia ou outra cidade e se recusou a detalhar para “não gerar especulação imobiliária”. Sem Bacuri, sem WNT, sem opção de compra, sem Intercept. A crítica está em: MG1 lamenta a saída, liga pro CEO e esquece o Intercept.


O que ainda não sabemos

  1. Quais cidades de Minas estão na “nova seleção de áreas”
  2. Se há novo contrato assinado com outro fundo, empresa ou pessoa física
  3. Se a prefeitura de Uberlândia foi informada antes da nota pública
  4. O que acontece com promessas de emprego, água e energia se o sítio mudar
  5. Se o MPF amplia o recorte do inquérito para a nova hipótese locacional
  6. Se a WNT e o Bacuri publicarão versão própria da rescisão

Até lá, o status honesto do diretório RT-One Uberlândia é: investimento reafirmado no Brasil; chão da fase 1 fora; destino indefinido.


Cronologia mínima da ruptura

DataEvento
08/07/2025Anúncio oficial em Uberlândia
09/09/2025Cerimônia do terreno (Fazenda Bom Jardim / Bacuri)
Dez/2025Locação R$ 1 mil/mês + opção de compra (documentos no MPF / Intercept)
Abr/2026RT-One: opção de compra já em renegociação
13/07/2026Intercept: terreno × Master / valorização / aluguel
Jul/2026Comunicado oficial RT-One: encerramento de comum acordo com o Bacuri; nova área em seleção

Perguntas frequentes

A RT-One cancelou o data center?

Não na formulação da empresa. Cancelou a relação contratual com o terreno do Bacuri e abriu seleção de novas áreas. O investimento no Brasil foi reafirmado.

Uberlândia perdeu o projeto?

Ainda não é possível afirmar. A empresa diz que avalia alternativas na cidade e em outras localidades de Minas. Uberlândia não é mais a única candidata.

Por que a empresa saiu do Bacuri?

No comunicado oficial: decisão “tomada diante dos fatos supervenientes envolvendo as administradoras do fundo”, sem reconhecimento de irregularidade, de comum acordo com o Bacuri. O contexto público é a repercussão sobre Reag/WNT e o caso Master (Intercept).

A RT-One era dona do terreno?

Não, segundo o comunicado: atuou “exclusivamente como locatária”. Não participa da gestão do fundo nem da precificação dos ativos.

O aluguel de R$ 1 mil era real?

Sim, segundo o contrato de dezembro de 2025 no inquérito do MPF e a reportagem do Intercept. O comunicado oficial confirma o papel de locatária; detalhes do valor e da opção de compra vieram de documentos e de respostas a imprensa (Paranaíba Mais).

O prefeito / a Prefeitura se pronunciaram?

Sobre o terreno Bacuri e o Intercept, a Prefeitura se manifestou via Secom: competências só do Executivo; societário e evolução do empreendimento são privados; dúvidas com a RT-One. Análise do empurra: Prefeitura lava as mãos. Os termos do que a cidade acordou com a empresa, se existirem, continuam sem publicação.

E depois em julho?

Quando a rescisão já era conhecida, o prefeito concedeu entrevista à Jovem Pan Uberlândia. Ao ser perguntado sobre o projeto, respondeu:

“Divulgou uma nota falando que talvez deixaria Uberlândia… Nós temos três empresas que nós não podemos divulgar pra vim pra Uberlândia, não é só a RT one.”

Minimização evidente:

  • “talvez deixaria” — quando o contrato já havia sido rescindido (jul/2026)
  • “não é só a RT one” — mas nenhuma das “três secretas” se comprometeu publicamente
  • “não podemos divulgar” — sem datas, sem nomes, sem confirmação

O prefeito transformou a rescisão (fracasso) em “oportunidade” (promessa vaga). Tática que vinha funcionando desde fevereiro: anunciar, não detalhar, deixar dúvida.


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Fontes

Publicado por:

E

Equipe Data Center Uberlândia

Monitoramento Ambiental e Socioeconômico

Blog independente que documenta os impactos ambientais e socioeconômicos de data centers em Uberlândia (MG).