Paulo Sérgio em Portugal, data center sem resposta em Uberlândia
Paulo Sérgio em Portugal celebra Lisboa e silencia sobre o data center em Uberlândia: sem EIA/RIMA, sem o Executivo na audiência de março/2026 e sem resposta sobre água, contratos ou Bacuri. No Facebook ("COMPROMISSO COM UBERLÂNDIA EM QUALQUER LUGAR!"), posa com Carlos Moedas e o embaixador Raimundo Carreiro sob "Avança Uberlândia". Em casa, o projeto RT-One de R$ 6 bilhões segue sem a mesma disposição de falar.
Agendas em Lisboa, audiência e MPF ignorados em casa
A frase do prefeito — “a mente está sempre voltada para buscar novas oportunidades” — veio de Portugal, onde cumpre “agendas importantes para o futuro da nossa cidade”. A Prefeitura noticiou a visita institucional (prospectar investimentos, Lisboa, embaixada). Em paralelo, o G1 registrou a Câmara assumindo nas férias. Nenhum dos dois textos responde o data center.
Combo que o SERP oficial não faz — Lisboa na vitrine, RT-One no escuro:
| Agenda em Portugal (PR) | Pergunta em Uberlândia (sem resposta) |
|---|---|
| Reunião com Carlos Moedas / Câmara de Lisboa | Audiência do DC (26/03/2026): Executivo ausente |
| Foto com embaixador Raimundo Carreiro | EIA/RIMA e licenças: limbo |
| ”Avança Uberlândia” / prospectar investimentos | R$ 6 bi, água, Bacuri: silêncio no Facebook da viagem |
| Férias com expediente diplomático | MPF — inquérito civil sobre medidas ambientais |
Abrir portas em Lisboa é ritual de gestão. As portas já abertas em casa — por onde passou o anúncio de 400 MW sem debate — não renderam a mesma agenda.
Lisboa não ensina hiperescala — a UFU já apontou as lacunas
Na postagem, o prefeito escreve:
“Essas agendas são pontes importantes para o nosso Avança Uberlândia. Trocar experiências com lideranças internacionais nos permite conhecer e trazer tecnologias e soluções que já funcionam fora do Brasil para a realidade da nossa gente.”
Qual tecnologia, exatamente, Lisboa pode ensinar a Uberlândia sobre hiperescala? A cidade portuguesa não é um hub desse tipo. Não tem 400 MW de carga de IA em zoneamento rural. Não licencia projetos sem EIA/RIMA.
Mas o prefeito não precisa ir longe para aprender. Uberlândia já tem dentro de casa — na UFU — um corpo técnico que produziu parecer crítico ao projeto. O marco normativo publicado pela universidade aponta lacunas graves no licenciamento. O prefeito não respondeu. A ponte com a academia local segue sem tráfego.
Foto com embaixador, silêncio sobre Bacuri, água e licenças
A postagem menciona o “diálogo produtivo” com o embaixador Raimundo Carreiro e um encontro na Residência Oficial. Diplomacia é importante. Mas desde que o data center foi anunciado:
- A Cemig negocia uma subestação dedicada de R$ 160 milhões — sem esclarecer quem paga.
- A RT-One segue sem EIA/RIMA e sem LP/LI/LO — tramitação em limbo municipal/estadual (não “em operação”).
- O consumo de água (239 mil L/dia = FACT DMAE) e o consumo de energia usam equivalências residenciais (MODEL/comparativo).
- A população dos bairros Pequis e Monte Hebrom não foi consultada.
- Os R$ 6 bilhões anunciados seguem sem split local publicado.
Nenhum desses itens apareceu na agenda portuguesa do prefeito. Talvez porque não rendam foto.
”O trabalho não para” — só muda de endereço
A frase fecha a postagem com a energia de quem está muito ocupado. E de fato: entre Lisboa, embaixada e Câmara Municipal, a agenda é cheia.
Mas o trabalho que parou merece destaque:
- Parou a comunicação com a imprensa local sobre os detalhes do licenciamento.
- Parou a interlocução com o MPF — o inquérito civil segue sem respostas do Executivo.
- Parou o debate público — a audiência de março foi um monólogo de ausências.
- Parou a transparência — os contratos, isenções e contrapartidas seguem fora do alcance do cidadão (Diamante no Facebook, data center sob sigilo).
O trabalho não para. Só muda de endereço.
O que cabia ouvir sem passaporte
Já que o prefeito está com a mente “sempre voltada para buscar novas oportunidades”, aqui vão algumas oportunidades que não exigem passaporte:
- Convocar uma audiência pública com a presença do Executivo municipal.
- Exigir EIA/RIMA completo antes de qualquer licença.
- Publicar os termos do acordo com a RT-One — isenções, prazos, contrapartidas.
- Responder ao MPF com dados, não com silêncio.
- Pisar no bairro Pequis e explicar aos moradores o que significa um data center de 400 MW na vizinhança.
Nenhuma dessas agendas exige reunião com embaixador. Todas exigem reunião com o povo.
Julho/2026: rescisão Bacuri, mesma omissão
Cinco meses depois de Portugal, o prefeito seguia no mesmo padrão: viagens (China, Japão, EUA, Alibaba) enquanto o data center ficava em limbo.
Na Jovem Pan, quando questionado, respondeu com “briga de gigantes” e “três empresas que não posso divulgar”. Continuava sem publicar:
- Contratos com a RT-One
- Isenções fiscais detalhadas
- Por que “três empresas secretas” não têm nome
A RT-One havia rescindido em julho. Terreno vago. Mas o prefeito seguia com promessas vagas — tática que vinha funcionando desde fevereiro: anunciar, viajar, calar.
Abrir portas em Lisboa, fechar os olhos no data center
O prefeito tem o direito de tirar férias. Tem o dever de representar a cidade. Mas a conta não fecha quando o “compromisso com Uberlândia em qualquer lugar” não inclui o lugar onde as decisões estão sendo tomadas — dentro do próprio município.
Enquanto Paulo Sérgio posa para fotos no exterior, o data center da RT-One (ou o que restou do projeto) avança sem debate, sem transparência, sem prefeito.
A porta que ele deveria estar vigiando já foi aberta. E ninguém sabe o que está entrando — ou se saiu.
Perguntas frequentes
Por que se fala em omissão de Paulo Sérgio em Portugal sobre o data center?
Porque a vitrine de Lisboa (Moedas, embaixador, “Avança Uberlândia”) não veio acompanhada de resposta pública sobre EIA/RIMA, audiência, água ou contratos da RT-One em Uberlândia.
A viagem foi oficial ou férias?
A Prefeitura noticiou visita institucional; o G1 registrou férias com a Câmara assumindo. Nenhum dos textos responde o data center.
O que falta responder sobre o data center?
EIA/RIMA e licenças, presença do Executivo em audiência, água (239 mil L/dia na aprovação DMAE), contratos e status pós-Bacuri. Lisboa não fecha essa conta.
Fonte: Facebook — Paulo Sérgio; Prefeitura — visita a Portugal (17/04/2026); G1 — Câmara assume nas férias do prefeito
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