Blog

Data center no Pequis: prefeito fiscaliza só escola

Data center no entorno do Pequis avança sem EIA/RIMA enquanto Paulo Sérgio celebra 22% da EMEI — fiscaliza o cimento, não o impacto.

5 min read opiniao prefeito paulo-sergio pequis rt-one uberlandia educacao

Data center no Pequis: fiscaliza a EMEI, ignora o campus

No entorno do Pequis, em Uberlândia, Paulo Sérgio fiscaliza a EMEI (22% concluída, 1.500 m²) e ignora o data center RT-One anunciado na MGC-497 — sem EIA/RIMA, sem licença e sem o Executivo na audiência. Em 10/04/2026 o post "AVANÇO NO PEQUIS!" fala em "futuro da nossa gente" e fiscalização no prazo; nenhuma linha sobre o vizinho de ~1 milhão m². Após jul/2026 a RT-One rescindiu o Bacuri e o local ficou indefinido — a seletividade da fiscalização permanece.


1.500 m² de escola versus 1 milhão m² na MGC-497

A nova EMEI do Pequis terá 1.500 metros quadrados. O terreno da RT-One tem 1 milhão de metros quadrados — 666 vezes o tamanho da escola.

Para as crianças, o prefeito reservou 370 vagas. Para o data center, menos de cem empregos permanentes, a maioria ocupada por mão de obra especializada de fora.

A escola precisa de água para o berçário e o lactário. O pedido à DMAE para o campus foi de 239 mil litros de água tratada por dia (fase 1 anunciada) — no mesmo eixo oeste onde o prefeito celebra a EMEI, com o terreno Bacuri já fora do plano desde jul/2026 e o endereço do campus indefinido. Os bairros já enfrentam restrições hídricas.

A EMEI foi planejada, orçada, licitada. O data center no Pequis tramita sem EIA/RIMA, num limbo entre o licenciamento municipal e o estadual.

O prefeito fiscaliza a primeira. A segunda, ele nem menciona.


Fiscaliza a creche; água, energia e EIA do data center, não

A frase do post fala em fiscalizar “cada obra com qualidade e no prazo”. O prefeito posa de capacete na obra da EMEI, olhando a planta. Justo. É o trabalho dele.

Mas o que ele fiscalizou do data center?

  • O consumo de água? A DMAE aprovou 2,77 litros por segundo — 239 mil litros diários — sem que o prefeito explicasse o impacto na região.
  • A energia? A Cemig negocia uma subestação dedicada de R$ 160 milhões que pode ser repassada à tarifa de todos os mineiros.
  • O ruído? Geradores a diesel (backup — não carga base 24/7) e refrigeração contínua a poucos quilômetros de residências, se o campus permanecer no eixo oeste.
  • As emissões / calor? O efeito ilha de calor é risco modelado de campus em escala — não medição local da RT-One em operação.

Nada disso teve fiscalização pública. Nem uma única foto de capacete.


”Futuro da nossa gente” sem aviso de vizinhança

A frase de encerramento do post é bonita. Merece aplauso. Toda criança merece creche, berçário, sala de amamentação.

Mas o futuro daquelas 370 crianças do Pequis pode incluir — se o campus voltar ao eixo oeste — dividir a água do bairro com refrigeração industrial contínua, conviver com ruído de backup a diesel e disputar capacidade da rede com servidores de IA. Após jul/2026 a RT-One seleciona nova área em Uberlândia ou outras localidades: a EMEI tem endereço fixo; o campus, não. Não inventamos dano causal escola→DC.

O prefeito celebra a creche. Esquece de explicar o vizinho industrial anunciado — e se ele ainda mira o Pequis. A operadora não tem histórico operacional comprovado; o regime REDATA pode isentar tributos federais por até 5 anos; EIA/RIMA do campus segue ausente no limbo conhecido. O mesmo prefeito que celebra Selo Diamante não publica aviso de vizinhança do campus.

Construir o futuro da nossa gente exige admitir os dois lados da rua — inclusive quando o segundo muda de terreno e o silêncio permanece.


Duas obras no Pequis, dois pesos de fiscalização

O contraste está dado — e, depois de julho/2026, ficou mais estranho: a RT-One rescindiu o terreno Bacuri e admite seleção em Uberlândia ou outras localidades. A EMEI continua no mesmo endereço. O campus, não. A seletividade da fiscalização, sim.

EMEI do PequisRT-One / entorno Oeste
Área1.500 m²~1.000.000 m² (fase 1 anunciada na MGC-497)
Vagas/empregos370 crianças< 100 postos permanentes
Status22% concluído, fiscalizadoSem EIA/RIMA; local indefinido pós-Bacuri
ÁguaBerçário e lactário239 mil litros/dia (aprovação DMAE conhecida)
Presença do prefeitoSelfie de capaceteAusente na audiência

Critério de dois pesos (sem inventar dano causal escola→DC):

  1. Se “fiscalizar obra” vale para creche de 1.500 m², vale pedir EIA/RIMA e aviso de vizinhança para hiperescala no mesmo eixo oeste.
  2. Se o prefeito celebra “futuro da nossa gente” no Pequis, cabe dizer se o data center ainda mira aquele entorno — ou se a cidade virou candidata entre outras.
  3. Celebrar cimento da EMEI não substitui transparência hídrica, energética e de licenças do campus.

O prefeito tem o direito de celebrar a escola. Tem o dever de fiscalizar o data center — inclusive quando o terreno muda e o silêncio permanece. Até agora, cumpriu só a metade fotogênica.


Perguntas frequentes

Há data center no bairro Pequis?

A fase 1 foi anunciada na MGC-497 (Pequis / Monte Hebrom). Em jul/2026 a RT-One rescindiu o Bacuri e seleciona nova área — Uberlândia ou outras localidades. A EMEI fica; o campus, não necessariamente.

O prefeito fiscaliza escola e data center?

Fiscaliza a EMEI no post; não publica o mesmo rigor sobre EIA/RIMA, água ou licenças do campus — e faltou à audiência de março/2026.

O campus ainda fica no Pequis?

Foi anunciado na MGC-497; após jul/2026 a RT-One seleciona nova área (Uberlândia ou outras). A EMEI fica; o campus, não necessariamente.


Fonte: Facebook — Paulo Sérgio

Leia também:

Publicado por:

E

Equipe Data Center Uberlândia

Monitoramento Ambiental e Socioeconômico

Blog independente que documenta os impactos ambientais e socioeconômicos de data centers em Uberlândia (MG).