Resposta direta
Em 2025–2026, o prefeito Paulo Sérgio (PP) e reportagens (ex.: Diário do Comércio, fev/2026) citaram interesse de Alibaba Cloud e de outras multinacionais não identificadas, além da RT-One. Isso é REPORTADO como negociação / conversa. Não é inventário de quatro data centers licenciados, financiados e em obra. Qualquer tabela “×4” (1.600 MW, 1 milhão L/dia) é cenário hipotético para discutir impacto cumulativo — não capacidade medida. A RT-One, único projeto com anúncio detalhado local, ainda tem endereço indefinido após a saída do terreno Bacuri (jul/2026).
Proposta de pausa: moratória para data centers. Água e energia: 239 mil L, consumo de energia.
O que foi dito em público
| Player | O que se sabe | Status |
|---|---|---|
| RT-One | R$ 6 bi / até 400 MW anunciados; Bacuri fora do plano | ANUNCIADO; sítio indefinido |
| Alibaba Cloud | Citada em negociação por autoridade/imprensa | REPORTADO / NÃO CONFIRMADO como deal fechado |
| “Mais duas” multinacionais | Sem nome público estável | ESPECULATIVO |
Regra editorial: negociar ≠ MOU ≠ EIA ≠ LI ≠ operação.
Por que a aritmética “×4” engana
Multiplicar a RT-One por quatro pressupõe:
- os outros três têm o mesmo MW e a mesma água;
- todos se instalam;
- todos operam ao mesmo tempo no mesmo município.
Nada disso está demonstrado. Use a aritmética só como stress test de planejamento:
| Recurso | RT-One (anunciado) | Stress test “se N iguais” |
|---|---|---|
| Energia | 100→400 MW | N × envelope — hipótese |
| Água rede | 239 mil L/dia (parecer DMAE fase 1) | N × parecer — hipótese |
| Empregos permanentes | dezenas, não milhares | ver empregos |
A equivalência “1,6 milhão de casas” aplica-se ao envelope energético da RT-One em comparativos do site — não autorize extrapolar como se quatro campi já existissem (comparativo energético).
Quem é a Alibaba Cloud (contexto)
Braço de nuvem do Alibaba Group; entre as maiores provedoras globais; já opera na América do Sul (ex.: Chile). Isso explica por que a marca aparece em conversas de hub — não prova campus em Uberlândia.
Perguntas legítimas (sem xenofobia de slide)
- Haverá dados de brasileiros sob qual jurisdição e contrato?
- Qual o enquadramento LGPD / transferência internacional?
- Qual o porte hídrico-elétrico se houver proposta formal?
- A Prefeitura publicará o status real (RFI, MOU, nada)?
Por que Uberlândia aparece no radar
Fatores citados com frequência: energia Cemig, água/mananciais, logística central, incentivos, percepção de licenciamento “ágil”. Cada um é atrativo — e cada um vira pressão se o município aprovar projeto a projeto sem teto cumulativo.
O buraco institucional: parecer isolado
DMAE, Cemig e Semad/FEAM analisam empreendimento. Se três players novos chegarem, três pareceres “pequenos” podem somar um impacto grande. Não há, até aqui, estudo público de capacidade regional de data centers. Daí a proposta de moratória até haver modelo cumulativo.
Riscos de virar “hub” sem plano
- Poucos empregos permanentes por MW
- Pressão hídrica em cenário de seca
- Concentração de infraestrutura crítica sob operadores estrangeiros
- Especulação fundiária no eixo escolhido
Nada disso exige vetar tecnologia. Exige número, sítio e licença antes do marketing de polo.
O que exigir (checklist)
- Painel público de pipeline: nome, status (conversa / MOU / protocolo Semad), MW e água quando houver proposta
- Estudo de impacto cumulativo antes de N-ésima aprovação
- Teto provisório de MW / vazão até o estudo
- Zoneamento explícito para hiperescala
- Não usar “4 projetos” em discurso oficial como se fossem fatos consumados
Conclusão
Alibaba e “outras duas” são pipeline reportado. RT-One é o único anúncio denso — e mesmo ela mudou de terreno. Planejar a cidade como se quatro campi já estivessem no mapa é trocar due diligence por aritmética de press release.
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