Crise hídrica no Triângulo: 239 mil litros/dia para data center
Uberlândia aprova a RT-One em crise hídrica no Triângulo Mineiro: 239 mil litros/dia no DMAE — enquanto a ALMG (02/07/2026) circula documentos atribuídos à empresa com até 1,7 milhão L/dia, o IGAM informa sem outorga e áreas de conflito hídrico (wire secundário: O Tempo, 02/07/2026), e o booster local chama o número menor de "pouco". Uberaba investe em ETA sob pressão; Brasília oferece REDATA a consumidores úmidos. O espelho nacional (Brasil → incentivo) fica no irmão crise-BR; aqui o foco é aprovação local / anti-booster. Água e tarifa no mesmo loop: ciclo vicioso água–energia.
Aprovado na estiagem: especialistas alertam, prefeito silencia
Em março de 2026, especialistas de universidades brasileiras (Unesp, IHU) publicaram alertas simultâneos: data centers demandam quantidades absurdas de água em um cenário de crise hídrica recorrente. O Triângulo Mineiro, região onde Uberlândia fica, já enfrenta pressão sobre recursos hídricos. Municípios vizinhos iniciaram obras emergenciais de ampliação de captação.
Ao mesmo tempo, o governo federal empurra o Redata — regime de incentivos fiscais (MP 1.318/2025; PL 278/2026) para atrair data centers: isenção de Imposto de Importação, IPI, PIS/COFINS sobre equipamentos. Nenhuma das celebrações governamentais mencionou a ironia: estamos oferecendo subsídios para consumidores intensivos de água em uma região que não tem água suficiente.
O prefeito Paulo Sérgio comemorou a RT-One e a narrativa de “~2 mil permanentes” (ANNOUNCEMENT Prefeitura/FIEMG — contestada pelo benchmark UFU ~1 emprego/MW). Não mencionou a água uma vez.
239 mil litros/dia não é “pouco”
Um campus típico consome entre 3 a 5 milhões de litros de água por dia. Isso equivale ao consumo diário de uma cidade com 30 mil habitantes.
A RT-One quer 239 mil litros/dia. Fios de booster (IT Forum, Aranda, Fenati) ecoam o DMAE: “baixo impacto”, “menos que um condomínio” — enquanto o parecer do DMAE segue opaco. O número oficial não é rumor — mas também não é o único em circulação, e continuidade 24/7 não é o mesmo que pico residencial.
| Fonte / escala | Consumo diário |
|---|---|
| Prefeitura / DMAE (número oficial) | ~239 mil litros |
| Documentos atribuídos à empresa (audiência ALMG) | até 1,7 milhão de litros |
| Campus típico (referência setorial) | 3 a 5 milhões de litros |
| RT-One se expandir a 400 MW (projeção de ordem) | 1 a 2 milhões de litros |
Na audiência da ALMG (primário; hub: /blog/audiencia-publica-almg-02-07-2026-data-centers-uberlandia), a vereadora Amanda Gondim apontou a divergência 239 mil × 1,7 mi. O diretor-geral do IGAM, Marcelo da Fonseca, informou que não há pedido de outorga de uso da água para o empreendimento — e que, próximas a Uberlândia, já existem áreas de conflito por indisponibilidade hídrica (cobertura secundária: O Tempo 02/07/2026). Minimizar com o número menor, sem outorga e sem conflito mapeado, é o booster wire local. Detalhamento da conta: 239 mil litros — a prefeitura chama de mínimo.
Energia renovável no papel não enche o aquífero
O Redata exige que os campi usem “energia renovável”. Parece proteção ambiental. Não resolve a conta hídrica do Triângulo.
A cláusula refere-se ao mix de energia adquirida — não ao consumo real de água. O empreendimento pode contratar energia renovável (papel) enquanto compete pelo mesmo aquífero da cidade. O ponto desta página é a seca local, não o marketing verde nacional — diesel + WUE invisível ficam no irmão verde / ilusão de sustentabilidade.
Histórico de crises e o que a audiência já ouviu
O Triângulo não descobriu a seca ontem:
| Ano | Evento |
|---|---|
| 2014 | Crise hídrica nacional, racionamento em várias cidades |
| 2017 | Seca severa no Triângulo, níveis críticos de reservatórios |
| 2021 | Pior crise hídrica em 91 anos, bandeira de escassez hídrica |
| 2024 | Secas prolongadas, queimadas recordes |
Na audiência pública sobre a RT-One, Luana Leite (CRBio-04) alertou para a “crise hídrica do Triângulo Mineiro”. Daniel Caixeta Andrade (Instituto de Economia/UFU) situou o risco sob mudanças climáticas: maior frequência de secas severas torna consumidores intensivos de água um agravante sobre pressões já existentes.
Para o Centro-Oeste de Minas, modelos climáticos indicam aumento de 1,5–3°C até 2050, redução de 10–20% da precipitação no período seco e secas mais frequentes — com maior evaporação em reservatórios.
Aquífero Guarani: quatro usos, um recurso
O Triângulo Mineiro repousa sobre o Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água doce da América Latina. Está sendo usado simultaneamente como:
- Abastecimento municipal (consumo doméstico)
- Irrigação agrícola (agronegócio)
- Recarga natural (precipitação)
- Agora: consumo industrial (RT-One)
Nenhuma das pressões é isolada. Todas competem pelo mesmo recurso finito. Especialistas alertam que “intensificação de mudanças climáticas, com maior frequência de secas severas”, torna essa competição insustentável.
O governo federal não exige que operadores divulguem consumo hídrico ou adotem tecnologias mais eficientes. A lei é silenciosa onde deveria ser rigorosa.
A seca local que o prefeito não menciona
Entre janeiro e maio de 2026, Uberlândia registrou:
- Aumento em 96% de incêndios em comparação ao mesmo período de 2025 (55 casos em maio)
- Secas recorrentes em córregos municipais
- Pressão sobre o abastecimento em períodos de estiagem
Nenhum desses dados está presente na comunicação do prefeito sobre o projeto. É como anunciar uma piscina olímpica em uma cidade que raciona água.
Subsídio público, água privada — e a conta em 2026
O estado brasileiro oferece isenção de impostos, subestação da Cemig e concessão de água. A empresa oferece menos de 100 empregos permanentes, consumo massivo de recursos finitos e transferência de dados para servidores internacionais.
Quem lucra? Acionistas da RT-One e parceiros. Quem paga? Uberlândia, que vê seus recursos hídricos drenados para processar dados de terceiros.
Estamos em ano de eleição. O prefeito fará campanha com realização. O campus será um símbolo. A água seguirá sendo escassa.
Se e quando a RT-One operar em Uberlândia — local ainda indefinido após a rescisão do terreno Bacuri —, como o prefeito explicará racionamento doméstico com 239 mil litros/dia aprovados no DMAE? Os contratos que poderiam responder nunca foram publicados.
Perguntas frequentes
239 mil litros/dia é “pouco” para a RT-One?
É o número oficial DMAE/prefeitura — não rumor. Mas não é o único em circulação: na ALMG apareceu demanda atribuída à empresa de até 1,7 mi L/dia; campi típicos consomem 3–5 mi L/dia. Continuidade 24/7 ≠ pico residencial. Detalhe: 239 mil — a prefeitura chama de mínimo.
Há outorga de água para o empreendimento?
Na audiência da ALMG (02/07/2026), o IGAM (Marcelo da Fonseca) informou ausência de pedido de outorga e áreas de conflito por indisponibilidade hídrica próximas a Uberlândia — cobertura: Brasil de Fato.
Este artigo é o mesmo que “crise hídrica Brasil / espelho falso”?
Não. Aqui o foco é Triângulo Mineiro / aprovação local / anti-booster (239 mil vs 1,7 mi, IGAM sem outorga). O irmão nacional cobre incentivo federal na seca e o espelho municipal: crise hídrica data centers Brasil.
Fontes: ALMG — audiência 02/07/2026; IGAM (outorga / áreas de conflito via testemunho ALMG); secundário O Tempo 02/07/2026; Brasil de Fato; Instituto Humanitas Unisinos — Emergência Hídrica e Energética
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