Comparativos

RT-One Uberlândia vs Maringá: O Mesmo Projeto, Dois Estados, a Mesma Empresa

Comparativo entre os projetos gêmeos da RT-One em Uberlândia (MG) e Maringá (PR): o que muda no licenciamento, consumo de água e resistência social de um estado para outro.

Uberlândia/MG vs Maringá/PR ·

A mesma empresa, dois projetos, uma grande interrogação

A RT-One anunciou dois data centers quase idênticos: um em Uberlândia (MG) e outro em Maringá (PR). Mesma capacidade (400 MW cada), mesmo investimento (R$ 6 bi cada), mesmo CEO. Mas as semelhanças param aí — o tratamento regulatório e a resistência social são radicalmente diferentes.

CaracterísticaUberlândia (MG)Maringá (PR)
Capacidade100–400 MW400 MW
InvestimentoR$ 6 bilhõesR$ 6 bilhões
Área1 milhão m²Não detalhada
Órgão licenciadorFEAM/Semad-MGIAT-PR
Inquérito MPFSim (MPF Uberlândia)Sim (MPF-PR)
Audiência pública26/03/2026Não realizada

A bomba do Aquífero Guarani

A diferença mais crítica entre os dois projetos está na água:

Em Uberlândia

  • Solicitou 2,77 L/s ao DMAE (rede pública)
  • Não descartou formalmente a captação subterrânea
  • O IGAM ainda não foi acionado formalmente

Em Maringá

  • Admitiu publicamente a intenção de captar água do Aquífero Guarani
  • O aquífero seria usado para trocadores de calor, com retorno da água ao subsolo
  • Sanepar (concessionária local) ainda não se manifestou

A admissão da RT-One em Maringá sobre o Aquífero Guarani é a peça mais citada pelo MPF no inquérito de Uberlândia. O argumento do MPF: se a empresa já admite esse caminho no Paraná, por que seria diferente em Minas Gerais?

Licenciamento: MG vs. PR

CritérioMinas GeraisParaná
ÓrgãoFEAM/SemadIAT (Instituto Água e Terra)
Reforma recenteSim (2023, extinção das Suprams)Não
Transparência do sistemaSIAM-MG (acesso público)SGA (acesso público)
Status RT-OnePré-licenciamento, sem protocoloEm análise preliminar

A reforma administrativa de MG (extinção das Suprams em 2023) criou um vácuo regulatório que pode explicar parte da demora no licenciamento em Uberlândia. No Paraná, a estrutura do IAT está consolidada, mas o processo ainda está em fase inicial.

Resistência social: dois públicos, duas reações

FatorUberlândiaMaringá
Audiência públicaRealizada (Câmara Municipal)Não realizada
AusênciasPrefeitura e CEO
Atores locaisUFU, CRBio, CNBB, vereadoresMPF-PR (principal)
Cobertura midiáticaAos Fatos, Mobile Time, Diário do ComércioImprensa local
Marco normativoProjeto de lei UFU/CâmaraSem iniciativa conhecida

Uberlândia tem uma resistência social mais articulada, com a UFU, Câmara Municipal e entidades da sociedade civil organizadas. Maringá depende mais da atuação do MPF-PR.

O que um projeto revela sobre o outro

A RT-One tenta jogar nas diferenças regulatórias entre estados:

  • O que é dito em Maringá pode não valer para Uberlândia (e vice-versa)
  • A empresa mantém silêncio estratégico: não respondeu ao MPF em MG nem divulgou WUE em nenhum dos dois projetos
  • A admissão sobre o Aquífero Guarani no Paraná contamina a credibilidade do projeto em Minas Gerais

Gatilhos comuns

Se qualquer um destes eventos ocorrer em um dos estados, o outro será imediatamente impactado:

  1. Ação civil pública do MPF
  2. Decisão judicial suspendendo o licenciamento
  3. Manifestação do IGAM ou IAT sobre o Aquífero Guarani
  4. Desistência de investidores (Hitachi, WEG, Siemens)

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