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Data center não é hidrelétrica: a analogia da Fiemg

Data center não é hidrelétrica: Flávio Roscoe (Fiemg) compara o que gera energia ao que consome 400 MW e deixa menos de 100 empregos em Uberlândia.

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Data center não é hidrelétrica: o profeta e a analogia

Não. Flávio Roscoe (Fiemg) comparou data centers às "primeiras hidrelétricas" (Diário do Comércio). Hidrelétrica gera MW; a RT-One em Uberlândia consome até 400 MW — ordem de quase 200 mil residências, 24/7.

Chamar o consumidor de “hidrelétrica da IA” inverte o sinal — marketing industrial, não engenharia. A Fiemg já estava no palco com prefeitura e Cemig em fevereiro — parte do arranjo, não observadora neutra.


Gera vs consome: a tabela que Roscoe não mostrou

AspectoHidrelétrica (analogia)Data center RT-One (realidade)
EnergiaGera MW para o gridConsome 400 MW do grid
ÁguaUsa o rio na geração239 mil L/dia, não devolve
EmpregosMilhares na obra/operaçãoMenos de 100 permanentes
LicenciamentoEIA/RIMA, LP/LI/LOLimbo até agora
BeneficiárioPopulação e indústria localClientes da nuvem
DuraçãoDécadas gerandoDécadas consumindo

Inverta o sinal da analogia e ela “funciona”. Fora isso, não. País com matriz “limpa” na média nacional não zera o custo local de 400 MW + 239 mil L/dia aprovados + CapEx Cemig. A fatia nacional que sobe na rede: 1,7%→3,9% (MIT).


”Empregos altamente qualificados” ≠ emprego para o Pequis

Roscoe: “estruturas que empregam pessoas altamente qualificadas”. A RT-One fica em menos de 100 permanentes, em geral mão de obra especializada de fora — não o vizinho da creche do Pequis.

Fábrica do mesmo porte: milhares. Data center: dezenas. Qualificação alta com cabeça-baixa de vagas não “compensa” volume. A Fiemg “articula qualificação”; o projeto avança sem licença ambiental.


”Tende a compensar” e o país de “energia limpa”

Escape clássico: o ganho em eficiência e produtividade “tende a compensar” o consumo. Não é “compensa”. Não é “comprovado”. É “tende”.

Roscoe quer data centers em países de energia limpa — como se a média da matriz brasileira apagasse a conta do Triângulo. A RT-One, na mesma narrativa, mantém diesel de backup. “País limpo” na fala não zera reforço de rede, água industrial nem cheiro de gerador quando a rede falha.


Estratégico para quem?

Data centers em Minas seriam “fundamentais e estratégicos” — adjetivos sem número. A Fiemg representa indústria patronal, não Cerrado nem Guarani. Estratégico para o cliente de 400 MW da Cemig é óbvio. Para quem divide água no Monte Hebrom, menos.

Que venha a “nova sociedade”. E que a Fiemg continue tendendo.


Perguntas frequentes

O que Flávio Roscoe (Fiemg) disse sobre data centers?

Que são “fundamentais para a nova sociedade” e comparou o momento à construção das primeiras hidrelétricas — declaração ao Diário do Comércio.

Por que data center não é hidrelétrica?

Porque uma gera energia para o grid e a outra retira (até 400 MW na RT-One), além de água industrial contínua e CapEx de rede. País “limpo” na média não zera custo local.

Quantos empregos permanentes a RT-One gera?

Menos de 100 permanentes, em geral mão de obra especializada de fora — não o volume de uma hidrelétrica ou fábrica do mesmo porte.


Fontes: Diário do Comércio — Uberlândia negocia expansão de data centers (Roscoe/Fiemg); Mobile Time — SE dedicada / 100→400 MW; Prefeitura — plano Cemig R$ 160 mi

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Publicado por:

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Equipe Data Center Uberlândia

Monitoramento Ambiental e Socioeconômico

Blog independente que documenta os impactos ambientais e socioeconômicos de data centers em Uberlândia (MG).