Comissão de Meio Ambiente da ALMG: o prefeito, de novo, fora
Em 2 de julho de 2026, a Comissão de Meio Ambiente da ALMG debateu o data center RT-One em Uberlândia — e o desdobramento público foi a sugestão de grupo de trabalho na Semad, sem calendário publicado. O prefeito Paulo Sérgio (PP) repetiu o padrão: ausente do debate — como na Câmara em março de 2026 — enquanto celebra Selo Diamante e posta creche.
Detalhe dos convidados que não confirmaram e do silêncio de cinco meses ficam nos artigos irmãos; aqui, o foco é a Comissão e o que vem depois do 02/07.
Vácuo regulatório: sem EIA, sem LP/LI/LO
A deputada Bella Gonçalves (PT), que solicitou a reunião, aponta ausência de legislação ambiental para data centers — o mesmo vácuo regulatório local que este blog mapeia. Não há EIA/RIMA, Licença Prévia, de Instalação nem de Operação. O RT-One tramita em limbo sem licença. A carta de intenção que o prefeito assinou segue sem termos públicos.
| Promessa do prefeito | Realidade documentada |
|---|---|
| ”Energia renovável só” | 100 MW iniciais, expansão a 400 MW; subestação Cemig de R$ 160 milhões |
| ”Impacto menor que 300 casas” | 239 mil litros de água/dia; gerador diesel de backup |
| ”Projeto aprovado e regulado” | Sem EIA/RIMA, sem LP/LI/LO |
| ”Empregos permanentes” | Menos de 100 permanentes, maioria mão de obra externa |
| ”Transparência total” | Contrato e isenção Redata sem publicação |
Depois do 02/07: o grupo de trabalho da Semad
Na audiência, o secretário estadual de Meio Ambiente, Lyssandro Norton Siqueira, classificou o tema como novo e estratégico e sugeriu um grupo de trabalho para discutir regulamentação específica de data centers. Citou um pacto global sobre data centers urbanos (energia de baixo carbono, reúso de água, planejamento, participação comunitária). A proposta foi acolhida por Bella Gonçalves, que pediu incluir esses empreendimentos na lista de atividades sujeitas a licenciamento ambiental.
Linha do tempo pós-audiência — o que existe e o que falta
| Item | Status após 02/07 |
|---|---|
| Sugestão de GT Semad | Feita em plenário; sem calendário, ata ou membros públicos até a cobertura da imprensa |
| Incluir DCs na lista de licenciamento | Defesa de Bella; sem decreto/lei publicada |
| MPF — inquérito civil | Já aberto (danos/omissões ambientais) |
| IGAM — outorga | Sem pedido; áreas de conflito perto de Uberlândia |
| Prefeitura — nota | Analisou água; aguarda projeto arquitetônico; energia → Cemig; licenças → Semad |
| Prefeito no debate | Continua fora do Facebook e do plenário sobre o maior projeto |
Wallace Alves (Sindsema) e Esther Guimarães (MAM) cobraram cautela — esta última chegou a falar em moratória até haver regra. A Comissão de Meio Ambiente da ALMG pode dizer o óbvio: falta regra, falta estudo, falta licença em Uberlândia. Sem calendário do GT, o “vamos discutir” vira adiamento com carimbo. A Assembleia questiona; o Globo sorri para a RT-One e o silêncio no Paço permanece.
Perguntas frequentes
O que a Comissão de Meio Ambiente da ALMG decidiu sobre o data center?
Não há lei publicada no dia da audiência. O resultado concreto em cobertura da imprensa: Lyssandro Norton (Semad) sugeriu um GT para regulamentar data centers; Bella Gonçalves acolheu e pediu incluir DCs na lista de atividades sujeitas a licenciamento ambiental.
O grupo de trabalho da Semad já tem calendário?
Não em domínio público. Até a cobertura pós-02/07, não há ata, membros nem cronograma publicados do GT — só a sugestão em plenário.
O prefeito Paulo Sérgio esteve na audiência da Comissão?
Não. O padrão de ausência — Câmara em março, ALMG em julho — e a lista de quem faltou estão nos artigos irmãos; aqui o ponto é o vácuo regulatório que a Comissão escancarou e o GT que ainda não calendariou.
Fontes: ALMG — Licenciamento para centro de dados em IA é defendido em audiência (02/07); ALMG — Meio Ambiente questiona projeto; Brasil de Fato — GT Semad e audiência 02/07; Facebook — Paulo Sérgio
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