Enquanto a ALMG questiona, o prefeito segue em silêncio
Nesta quinta-feira, 2 de julho, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da ALMG realiza audiência pública sobre o data center RT-One em Uberlândia. Pesquisadores e moradores discutem impactos ambientais. O prefeito Paulo Sérgio? Seguramente estará ocupado com algo mais importante — como postar uma foto na creche.
A Comissão questionará a empresa sobre regulamentação ambiental que não existe, estudos de impacto que não foram realizados e legislação específica para data centers que ninguém no Brasil ainda desenhou. Nada que interesse um prefeito que celebra transparência com um Selo Diamante em 2024 e esconde a maior obra da cidade.
O vácuo regulatório que ninguém em São Paulo mencionou
A deputada que coordena a Comissão denunciou em comunicado oficial: “ausência de legislação ambiental” para data centers. Não há EIA/RIMA, não há Licença Prévia, não há Licença de Instalação, não há Licença de Operação.
O projeto da RT-One tramita em limbo municipal e estadual, esperando alguém dizer “não”—algo que o prefeito nunca dirá, porque assinou a carta de intenção sem publicar seus termos.
O consumo de energia que “ninguém imaginava”
Um detalhe que não aparecerá na audiência de hoje porque está enterrado em relatórios técnicos: data centers estão previstos para aumentar o consumo de energia do Brasil em 11 vezes até 2030, passando de 304 MW em 2026 para 3.457 MW em 2030.
A RT-One em Uberlândia começará com 100 MW de potência. Expandirá para 400 MW. Cada megawatt consome água, gera calor, pressiona a Cemig e sua subestação de R$ 160 milhões — que a prefeitura negocia para o contribuinte pagar.
A Comissão de Meio Ambiente vai debater isto. O prefeito hasteará a bandeira branca da omissão, como fez em março de 2026 quando foi ausente à audiência pública anterior na Câmara Municipal.
A tabela que o prefeito nunca mostrou
| Promessa do Prefeito | Realidade Documentada |
|---|---|
| ”Energia renovável só” | 400 MW de consumo crescente num grid sobrecarregado |
| ”Impacto menor que 300 casas” | 239 mil litros de água por dia; gerador diesel de backup |
| ”Projeto aprovado e regulado” | Sem EIA/RIMA, sem licenças ambientais |
| ”Gerará empregos permanentes” | Menos de 100 permanentes, maioria mão de obra externa |
| ”Transparência total” | Contrato nunca publicado, isenção fiscal de 5 anos oculta |
Quem comparece, quem não
Na audiência de hoje comparecem:
- Marcos Morais, tecnologista
- Cynthia Picolo, diretora do Laboratório de Políticas Públicas e Internet
- Pesquisadores
- Moradores dos bairros Pequis e Monte Hebrom
Quem provavelmente não comparecerá:
- O prefeito Paulo Sérgio
Ele estará, como sempre, em outra inauguração, outra reunião fechada com a Fiemg, ou outra férias em Lisboa — como fez em maio de 2026, quando voou a Portugal para reuniões com embaixadas e câmaras de comércio, enquanto a audiência municipal sobre o data center aguardava.
O que a ALMG vai dizer que não vai mudar nada
A Comissão dirá que falta regulamentação. Está certo.
Dirá que faltam estudos de impacto. Verdade.
Dirá que o projeto avança sem licenciamento adequado. Documentado.
E depois? O projeto segue. A prefeitura segue. A RT-One segue. O Ministério Público Federal abriu inquérito civil, mas isso também não aparecerá no Facebook do prefeito como conquista de governo.
O silêncio é a política de Uberlândia em julho de 2026. A ALMG questiona. O povo reclama. E o prefeito posta uma foto de bolo de aniversário da creche no Pequis — a mesma creche que fica a 12 km do data center que vai consumir 400 MW de energia e 239 mil litros de água por dia.
Fonte: ALMG — Comissão de Meio Ambiente
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