Quase 1 trilhão de litros nas big techs — o risco chega ao Triângulo
Quase 1 trilhão de litros em 2025 — nos EUA / big techs, não no Brasil. Esse consumo água data centers aparece na cobertura da imprensa (Economic News Brasil) e em estimativa de mercado (Mordor: ~0,98 tri L nos EUA em 2025) — estimativa, não inventário oficial brasileiro.
Não inventamos trilhão BR: é a escala que o país quer hospedar. Em Uberlândia, sob secas recorrentes, a RT-One foi aprovada com 239 mil L/dia. Lá fora, o trilhão vira “corrida”; aqui, o litro some no silêncio.
(Projeção Brasscom BR anual em 2029: 30 bilhões vs 239 mil.)
Do trilhão global aos 239 mil litros/dia em Uberlândia
O DMAE aprovou 239 mil litros por dia. A prefeitura falou em “menos que 300 casas”.
- A conta local não fecha. 239 mil L/dia ≈ 87 milhões L/ano — ordem de ~870 casas, não 300.
- A fase inicial não é o teto. 239 mil é para ~100 MW; a expansão a 400 MW multiplica a pressão. Data centers grandes chegam a 3–5 milhões de litros/dia.
| Cenário local | Litros/dia | Litros/ano | Comparação |
|---|---|---|---|
| Aprovado (100 MW) | 239.000 | 87 milhões | ~870 casas |
| Ampliação (400 MW) | 1–2 milhões | 365–730 milhões | cidade pequena / milhares de casas |
Aqui o gancho é o precedente global das big techs pousando num hub seco do Triângulo — não a projeção acumulada brasileira.
Água em seca não é atrativo. É sacrifício.
O Triângulo Mineiro vive crises hídricas periódicas. O Aquífero Guarani já sofre pressão agrícola e urbana. Em 2024 houve racionamento; em junho de 2026, chuva recorde não resolveu o estrutural.
Um data center que pode chegar a ~1 milhão de litros/dia na forma final não é “nuvem”. É desvio de recurso sob estresse.
Refrigeração “verde” não cancela o litro
A RT-One vende “classe mundial” e data center “verde”. Executivos falam em eficiência e refrigeração inovadora.
Não há refrigeração que torne sustentável o consumo de água dos data centers com água potável em região seca. Um DC típico bebe milhões de litros/dia; treinos e inferência de IA embutem água que o usuário final nunca vê na fatura.
Eficiência moderna reduz litros por servidor — e perde para o crescimento da demanda. Menos gasolina por km com dez vezes mais quilômetros: a conta sobe. WUE “world-class” do Redata também não absolve 239 mil L/dia.
Água direta, água da rede elétrica
Parte do consumo da RT-One vem de poços e da rede municipal. Parte é indireta, embutida na geração de energia: rios que movem hidrelétricas também irrigam e bebem cidades.
Desviar água para resfriar servidor é jogo de soma zero. Quem fica sem, no Triângulo, são agricultores, municípios menores e o Cerrado sob pressão.
Silêncio oficial enquanto o hub avança
O prefeito Paulo Sérgio não explicou a aprovação hídrica. A Fiemg apoiou sem análise pública de impacto. Minas autorizou sem transparência útil ao cidadão.
Aprovar 239 mil litros/dia extras sem debate sobre seca e aquífero é fachada — especialmente quando o mundo discute um trilhão de litros nas mesmas empresas que o Brasil corteja.
Perguntas frequentes
O trilhão de litros é consumo brasileiro?
Não. É estimativa de mercado / cobertura sobre data centers nos EUA (~0,98 tri L em 2025) e operações de big techs — não inventário BR. A conta do Brasil em 2029 (dezenas de bilhões anuais, Brasscom) está no artigo dos 30 bilhões.
Quanto a RT-One consome em Uberlândia?
239 mil litros/dia aprovados pelo DMAE na fase ~100 MW; expansão a 400 MW multiplica a pressão — em região de seca, não no slide global.
Refrigeração “verde” cancela o consumo de água?
Não. Eficiência reduz litros por servidor; o crescimento da carga e o uso de água potável em região seca mantêm o impacto absoluto.
Fontes: Economic News Brasil — ~1 tri L (EUA/big techs, 2025); Mordor Intelligence — US data center water (~0,98 tri L, 2025); Jornal da Unesp
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