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Uberlândia Empreendedora: data center sem papelada?

Uberlândia Empreendedora e o data center: o prefeito promete menos papelada ao pequeno. Para o RT-One, EIA/RIMA e audiência já sumiram do caminho.

6 min read opiniao prefeito paulo-sergio empreendedorismo rt-one uberlandia

O programa Uberlândia Empreendedora promete menos papelada ao pequeno — e para o RT-One a papelada ambiental já encolheu. Em 14/04/2026 o prefeito Paulo Sérgio (PP) lançou no Facebook os três pilares (agilidade, capacitação, tecnologia). Três semanas antes, em 26/03, a Câmara fez audiência sobre o data center de R$ 6 bilhões: prefeito e prefeitura não mandaram ninguém. Desburocratização seletiva: MEI na fila; EIA/RIMA e audiência fora do caminho do bilionário.


“Menos papelada”: para o pequeno ou para o RT-One?

A primeira promessa do programa é um achado. O prefeito quer eliminar burocracia. Justo. A Prefeitura também cultiva o Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora — validação institucional de que o município “facilita quem produz”. O problema é o destino dessa facilidade: para o pequeno, o discurso; para o RT-One, o caminho do licenciamento já encolheu — e não por eficiência de balcão.

O data center de 400 MW:

  • Não tem EIA/RIMA. O Estudo de Impacto Ambiental, obrigatório para projetos desse porte, simplesmente não foi feito.
  • Não tem licença ambiental. Nem a prévia (LP), nem a de instalação (LI), nem a de operação (LO).
  • Tramita num limbo entre o licenciamento municipal e o estadual, sem que ninguém assuma a responsabilidade.
  • Teve audiência na Câmara sem o Executivo — a “participação” que o pequeno ouve no slogan e o bilionário dispensa na prática.

Se isso é “menos papelada”, o prefeito está de parabéns. Conseguiu zerar a burocracia ambiental para um projeto de R$ 6 bilhões enquanto o programa Uberlândia Empreendedora ensina o MEI a esperar alvará. O pequeno empresário que tenta abrir uma loja no centro ainda enfrenta meses de fila.

A agilidade, aparentemente, é proporcional ao tamanho do CNPJ.


Capacitação estratégica — para quem?

A segunda promessa do Uberlândia Empreendedora fala em preparar o empreendedor local. Nenhum problema com isso.

Mas quando a prefeitura senta à mesa com uma empresa de data center que sequer tem histórico operacional comprovado, não exige EIA/RIMA, não publica contrapartidas contratuais, e não comparece à audiência pública — que tipo de capacitação está sendo oferecida ao cidadão?

Enquanto o Sebrae ensina fluxo de caixa ao microempresário, a prefeitura ensina ao contribuinte a pagar a subestação de R$ 160 milhões da Cemig sem fazer perguntas.


”Tecnologia e geração de oportunidades”

Aqui o post atinge seu auge retórico. O prefeito diz que “Uberlândia cresce com quem produz” e que “a gente acredita em quem faz a nossa economia acontecer”.

Vamos aos números de quem realmente produz:

  • A padaria do bairro: paga alvará, taxa de vigilância sanitária, ISS, ICMS, e agora 6,5% a mais na conta de luz.
  • A RT-One: isenção fiscal federal de 5 anos via Redata, tarifa de energia industrial mais baixa por unidade, e uma subestação dedicada cujo custo pode ser repassado a todos os consumidores mineiros.

A padaria gera empregos locais, paga impostos, movimenta a economia do bairro. O data center gera menos de cem empregos permanentes na leitura local tipicamente citada, importa mão de obra especializada de fora, e na expansão a 400 MW a conta de energia escala para ordem de grandeza de milhões de residências — não de dezenas de milhares.

Quem está “fazendo a economia acontecer” e quem está recebendo o tapete vermelho são dois grupos diferentes.


Desburocratização seletiva: PME na fila, data center no tapete

A frase do prefeito — “do pequeno empreendedor às grandes indústrias” — sugere que todos estão no mesmo barco. Não estão.

O pequeno empreendedor de Uberlândia enfrenta juros altos, carga tributária pesada e agora uma conta de luz maior. O data center estrangeiro recebe isenção fiscal federal, infraestrutura dedicada da Cemig e um atalho regulatório em que EIA/RIMA e presença na audiência sumiram do roteiro — enquanto o Empreendedora nos Bairros e o Sebrae ocupam o feed.

A pergunta é direta: quem recebe a desburocratização de verdade? O programa pode ter boas intenções. O modelo em operação já escolheu o cliente.


Atualização (Julho/2026): As “Empresas de Tecnologia” Que Nunca Chegam

Três meses depois do Uberlândia Empreendedora, o prefeito concedeu entrevista à Jovem Pan. Revelou que trabalhou em “viagens pra China, Alibaba, Estados Unidos, Japão” para trazer empresas de tecnologia.

“Nós temos três empresas de que nós não podemos divulgar pra vim pra Uberlândia, não é só a RT one.”

Sete anos de mandato. Quantas viagens? Quantas reuniões? Resultado? Uma empresa (RT-One) que rescindiu, três “secretas” que não aparecem.

Enquanto isso, a RT-One desistiu do terreno Bacuri e ficou procurando “nova área”. O prefeito responde com “briga de gigantes” — narrativa heroica de quem percebeu que o melhor cliente já tinha ido embora.

O Uberlândia Empreendedora prometia “ser o braço direito de quem quer produzir”. Mas quem “quer produzir” aqui vai pagar a conta — luz, água, fiscal — e conviver com um data center que, afinal de contas, pode sair amanhã.


A pergunta que o post não responde

O prefeito encerra dizendo que a missão é “ser facilitador”. A pergunta que fica:

Facilitador para quem?

Para o pequeno empresário que rala com papelada, ou para o data center que simplesmente não precisa de papel nenhum? E para as “três empresas secretas” — quando chegam, se chegam?


Perguntas frequentes

O que é o programa Uberlândia Empreendedora?

Lançamento municipal (14/04/2026) do prefeito Paulo Sérgio: menos papelada, capacitação e tecnologia — com vitrine Sebrae Prefeitura Empreendedora no discurso de “facilitar quem produz”.

O RT-One tem EIA/RIMA e licença ambiental?

Não publicados. O projeto tramita sem EIA/RIMA e sem LP/LI/LO no padrão documentado pelo blog.

O prefeito foi à audiência do data center na Câmara?

Não. Em 26/03/2026 a prefeitura não enviou representante à audiência sobre o RT-One.


Fonte: Facebook — Paulo Sérgio | Mobile Time — data center RT-One / Cemig

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Publicado por:

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Equipe Data Center Uberlândia

Monitoramento Ambiental e Socioeconômico

Blog independente que documenta os impactos ambientais e socioeconômicos de data centers em Uberlândia (MG).