
O Convite Está Enviado
No dia 2 de julho de 2026, às 10h, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizará uma audiência pública para discutir os impactos dos data centers de inteligência artificial em Uberlândia. A convocação partiu da vereadora Amanda Gondim e da deputada Bella Gonçalves.
A pauta é clara: transparência, participação popular e respostas. Para que o evento funcione, faltam apenas dois convidados especiais.
O primeiro é Fernando Palamone, CEO da RT-One. O segundo é Paulo Sérgio, prefeito de Uberlândia. Ambos têm muito a explicar. Ambos têm evitado explicar.
O Que Fernando Palamone Pode Explicar
Fernando Palamone é o rosto do projeto. É ele quem anuncia investimentos, visita autoridades e vende o data center como futuro da cidade. O problema é que o passado dele já foi desmentido pela Intel, e o presente do projeto ainda guarda buracos grandes demais para serem ignorados.
A audiência da ALMG é o lugar certo para ele esclarecer:
- Quem são os clientes da RT-One? A empresa fala em nuvem soberana, IA e segurança digital, mas não diz quem comprará a capacidade.
- Quantos empregos locais serão criados? A promessa sona bem. Os números, nem tanto.
- Por que a empresa não compareceu à audiência pública da Câmara Municipal em março? Enviar apenas o advogado é um jeito curioso de demonstrar compromisso com a cidade.
- Como a RT-One vai usar 239 mil litros de água por dia? E qual tecnologia de refrigeração justifica esse consumo?
- Para que servem 100 MW, com expansão para 400 MW? A escala industrial do projeto precisa de explicações que vão além de slides bonitos.
Palamone tem o microfone aberto na ALMG. Resta saber se ele terá coragem de usá-lo.
O Que Paulo Sérgio Pode Explicar
O prefeito Paulo Sérgio, por sua vez, é o anfitrião oficial do projeto. Foi ele quem anunciou o data center com pompa em Belo Horizonte, ao lado da FIEMG e da Cemig. Desde então, a transparência anda escassa.
Na ALMG, o prefeito pode finalmente responder:
- Por que a Prefeitura não compareceu à audiência pública de março? A administração municipal não mandou nem um assessor.
- Onde estão os contratos assinados com a RT-One? Até hoje, eles não foram publicados.
- Quem paga a subestação dedicada da Cemig? A cidade ou a empresa?
- Qual o custo real da isenção fiscal de 5 anos via Redata? Quanto deixa de entrar nos cofres públicos?
- O que o prefeito conversou em Portugal, enquanto Uberlândia discutia o projeto sem ele?
Paulo Sérgio gosta de postar obras, selos de transparência e viagens internacionais. A audiência da ALMG é a chance de mostrar que também sabe responder perguntas difíceis.
A Mesa Está Posta
A sociedade civil, a universidade e os movimentos sociais já fizeram a lição de casa. Apresentaram dados, questionamentos e até um marco normativo municipal.
O que falta é a outra parte da mesa.
Fernando Palamone e Paulo Sérgio têm duas opções em 2 de julho:
- Comparecer e explicar, com documentos e números, o que o projeto realmente significa para Uberlândia.
- Faltar novamente e confirmar, com a própria ausência, que a população não merece respostas.
A primeira opção exige coragem. A segunda, apenas consistência.
Conclusão
A audiência pública na ALMG não é um interrogatório. É uma oportunidade. Palamone e Paulo Sérgio podem usar aquele espaço para transformar dúvidas em clareza, promessas em dados e silêncios em respostas.
Mas se eles preferirem não ir, tudo bem. A cadeira vazia também fala. E em 2026, em plena era da comunicação institucional, uma cadeira vazia diz muito mais do que qualquer discurso escrito por assessoria.
Fonte: Instagram — Amanda Gondim
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