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RT-One em Maringá e Uberlândia: mesmo playbook MPF

RT-One anunciou projetos espelhados em Maringá e Uberlândia: R$ 6 bi e até 400 MW. Ambos sob MPF. O paralelo — e o que mudou após o Bacuri.

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Resposta direta

A RT-One anunciou dois projetos com números quase idênticos — Maringá (PR) e Uberlândia (MG): ordem de R$ 6 bilhões e expansão até ~400 MW. Nos dois estados há investigação do MPF sobre impacto ambiental e água. Isso não prova que as plantas existem ou que R$ 12 bilhões estão em caixa: prova um playbook de anúncio. Em Uberlândia, desde jul/2026, o terreno da fase 1 (fundo Bacuri / MGC-497) saiu do plano; a empresa fala em seleção de nova área em Uberlândia e outras localidades — local indefinido, não “projeto cancelado”. Ficha do campus: diretório RT-One Uberlândia. Comparativo lado a lado: RT-One Uberlândia vs Maringá.

Tabela: o que foi anunciado (não o que opera)

CaracterísticaMaringá (PR)Uberlândia (MG)
Investimento (ANUNCIADO)R$ 6 bilhõesR$ 6 bilhões
Capacidade (ANUNCIADA)até ~400 MW100 MW fase 1 → até ~400 MW
Área (ANUNCIADA)ordem de 1 mi m²ordem de 1 mi m² (fase 1 Bacuri)
Status jurídicoInvestigado MPF-PRInquérito civil MPF (set/2025+)
Água / aquíferoEmpresa admitiu hipótese de captação Guarani / geoexchangeDMAE: 239 mil L/dia rede; Guarani não descartado
Sítio (ago/2026)Em disputa pública / investigaçãoFase 1 Bacuri fora do plano; novo sítio em seleção

Números de investimento e MW são comunicados da empresa e da imprensa, não medições de planta em operação. Nenhum dos dois campi está operando como data center de IA.

Cronologia enxuta

DataEventoStatus da afirmação
Jan/2025Anúncio MaringáANUNCIADO
Jul/2025Anúncio Uberlândia + terreno Bacuri na narrativa públicaANUNCIADO
Set/2025MPF abre inquérito civil em MG (ambiental)REPORTADO
Mar/2026Cobertura cruzada: ambos sob MPFREPORTADO
Jul/2026RT-One encerra contratos Bacuri; nova área em seleçãoANUNCIADO (comunicado oficial)

Cobertura da rescisão: RT-One desiste do terreno Bacuri. Elo cartorial/Master: terreno Bacuri × Intercept.

O que Maringá revelou (e Uberlândia ainda deve exigir)

Captação do Aquífero Guarani

Em Maringá, a empresa admitiu publicamente hipóteses de:

  • captar água do Aquífero Guarani;
  • usar trocadores de calor subterrâneos;
  • devolver água ao subsolo após uso.

Em Uberlândia, o parecer do DMAE trata água de rede (2,77 L/s). Captação subterrânea, se houver, muda de órgão (IGAM) — ver Aquífero Guarani e RT-One e parecer DMAE. O paralelo importa: o que a empresa admite em um estado deveria ser perguntado formalmente no outro.

MPF em dois estados

O padrão institucional não é “coincidência narrativa”: são dois inquéritos sobre o mesmo operador, com eixos água/licenciamento. Coordenação entre MPF-PR e MPF-MG é pergunta legítima de accountability — não acusação de condenação (não há sentença criminal do projeto nestes autos públicos).

Playbook observado (hipótese editorial)

Com base no que foi anunciado e omitido, o padrão repetido é:

  1. Anunciar projeto bilionário com cobertura ampla
  2. Buscar apoio político e enquadramento fiscal (REDATA / municipal)
  3. Postergar licenciamento ambiental completo (EIA/RIMA, LP/LI/LO)
  4. Evitar ou esvaziar audiências
  5. Minimizar impactos em declaração oficial

Status de licença em MG: RT-One sem licença ambiental e guia de licenciamento.

Perguntas que o espelhamento obriga

  1. A RT-One tem capacidade financeira demonstrada para R$ 12 bi simultâneos — ou são metas de captação?
  2. Por que o aprendizado de Maringá não produz EIA/RIMA público em Uberlândia?
  3. Se admite Guarani em Maringá, por que Uberlândia ainda opera no “não descartou”?
  4. Após a saída do Bacuri, qual endereço será protocolado na Semad — e quando?
  5. Empregos permanentes vs. mão de obra externa: ver quantos empregos de fato.

Lições (e limites) de Maringá para Uberlândia

Útil: MPF e sociedade civil reagiram cedo; imprensa local cobriu com perguntas difíceis.
Risco: benefício fiscal e narrativa de “obra” antes de licença plena; empresa responde o mínimo.
Atualização 2026: Uberlândia não pode mais tratar Pequis/MGC-497 como campus certo. Qualquer estudo de vizinhança, DMAE e Semad precisa reancorar no sítio novo — ou admitir que pareceres da fase 1 envelheceram.

O que cobrar agora

  1. Esclarecimento formal escrito sobre Guarani / poço / geoexchange em qualquer sítio de MG
  2. Condicionar incentivo fiscal a protocolo e andamento público de licença estadual
  3. Audiência com presença da empresa e da Prefeitura (não só slide)
  4. Compartilhamento de peças entre MPF-PR e MPF-MG
  5. Comunicação clara: local indefinido ≠ cancelamento; exige novo ciclo de transparência

Conclusão

Maringá e Uberlândia não são “dois sucessos”. São dois anúncios espelhados sob escrutínio do MPF, com o segundo agora sem endereço fechado. O padrão que importa para o cidadão não é o PowerPoint de 400 MW — é se água, energia, licença e contratos públicos acompanham a promessa. Enquanto isso não acontecer, o paralelo Maringá×Uberlândia continua sendo o melhor detector de marketing.


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Publicado por:

E

Equipe Data Center Uberlândia

Monitoramento Ambiental e Socioeconômico

Blog independente que documenta os impactos ambientais e socioeconômicos de data centers em Uberlândia (MG).