Acidente na MGC-497: o acesso ao RT-One já falhou
Sim — a MGC-497 é o eixo de acesso logístico à zona rural oeste (Pequis / Monte Hebrom) onde a RT-One anunciou o primeiro sítio do data center de IA. Em 8 de julho de 2026, duas carretas se chocaram ali: um motorista morreu a caminho do hospital; a passageira ficou gravemente ferida; a fécula de mandioca cobriu a pista; o trânsito parou nos dois sentidos ([g1 Triângulo](https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2026/07/08/acidente-entre-duas-carretas-interdita-totalmente-a-mgc-497-em-uberlandia.ghtml)). Sem data center em operação, a via já interditou por completo.
O terreno anunciado foi depois rescindido com o fundo Bacuri; a nova área segue indefinida. Equipamentos, funcionários, diesel e peças de reposição de qualquer empreendimento nessa direção ainda passam pela mesma rodovia.
A rodovia do Pequis não está pronta para o projeto
O acidente não é só estatística policial: acontece no corredor logístico do anúncio. Em abril, a análise sobre a localização na MGC-497 já listava caminhões pesados, desgaste de pavimento, congestionamentos e acidentes potenciais. Bastava olhar a rodovia.
A MGC-497 (DER-MG, trecho Uberlândia–Prata, ~77 km) liga o perímetro urbano ao oeste do município. Na quarta-feira, não deu conta de duas carretas sem parar. Na fase de construção de um data center, o fluxo típico — carretas de concreto, transformadores, geradores, módulos — aumenta o peso sobre a mesma pista. O DER-MG não publicou, que se saiba, laudo vinculando este acidente ao projeto; a pergunta pública é outra: onde está o estudo de impacto viário exigível antes de saturar o corredor?
Socorro longe, resposta lenta
O motorista morreu a caminho do Hospital de Clínicas da UFU (FACT — g1). Na zona rural oeste, socorro e hospitais de referência ficam longe do eixo Pequis/Monte Hebrom — o próprio resgate do acidente foi para o HC-UFU. Em caso de incêndio, vazamento de diesel ou acidente grave num data center nessa direção, o tempo de resposta tende a seguir o mesmo padrão de distância (projeção condicional; sem laudo de tempo de resposta publicado). O data center ainda não existe; a MGC-497 já mostrou o risco.
O que falta no impacto viário do RT-One
A RT-One e a prefeitura deveriam ter tornado públicos, no mínimo:
- estudo de impacto viário detalhado;
- plano de contingência para emergências;
- compromisso de custeio de reforço de pavimento, sinalização e iluminação;
- canal com os bairros que dividem a estrada.
Nada disso saiu. Enquanto isso, a empresa já tem subestação Cemig de R$ 160 milhões, 239 mil litros de água/dia e isenção Redata por cinco anos.
Para a via que leva tudo isso à zona rural — a mesma que divide Pequis e Monte Hebrom e onde o prefeito posta alerta de chuva sem falar do data center — sobra silêncio. O acidente na MGC-497 e o acesso ao data center RT-One são a mesma pergunta de infraestrutura.
| O acidente mostrou | O projeto RT-One ainda não mostrou |
|---|---|
| Interdição total no tráfego atual | Estudo de impacto viário publicado |
| Socorro a longas distâncias | Plano de contingência |
| Cargas pesadas já circulam | Compromisso público de reforço da rodovia |
| Impacto direto nos bairros do eixo | Consulta aos bairros afetados |
Antes do data center, a resposta viária
O prefeito Paulo Sérgio não se manifestou sobre o acidente — nem sobre o data center desde o anúncio, em fevereiro. A MGC-497 não espera post: interditou, matou um motorista e segue como acesso de R$ 6 bilhões em equipamentos. Antes de inaugurar o data center, alguém precisa inaugurar a resposta.
Perguntas frequentes
A MGC-497 é o acesso ao data center RT-One?
É o corredor logístico da zona rural oeste (Pequis / Monte Hebrom) onde a RT-One anunciou o primeiro sítio. O contrato com o fundo Bacuri foi rescindido; a nova área ainda não foi anunciada. Qualquer carga pesada nessa direção ainda usa a mesma rodovia.
O acidente prova impacto do projeto RT-One?
Não. O DER-MG não publicou, que se saiba, laudo vinculando o acidente ao empreendimento. O que o episódio evidencia é a fragilidade do acesso — e a ausência pública de estudo de impacto viário antes de saturar o corredor com obras.
Existe estudo de impacto viário publicado?
Não há, em domínio público, estudo de impacto viário, plano de contingência nem compromisso de reforço de pavimento vinculados ao projeto. Água, Cemig e Redata avançaram; a via que leva tudo isso à zona rural, não.
Fontes:
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